Jornal do Brasil

Terça-feira, 27 de Junho de 2017

Jazz

O quarteto The People de Joey DeFrancesco

Project Freedom é o novo álbum do mestre do Hammond B-3 

Luiz Orlando Carneiro

No planeta jazz, os dois grandes herdeiros do lendário organista Jimmy Smith (1925-2005) no comando dos teclados e da pedaleira do Hammond B-3 são o septuagenário Lonnie Smith e Joey DeFrancesco, 45 anos, filho do também renomado organista da Filadélfia “Papa” John DeFrancesco.

O garoto Joey, menino-prodígio, tinha 16 anos quando foi contratado pela Columbia Records, que logo lançou o seu primeiro disco (All of Me). Na mesma época, ele chegou a ser sideman do Miles Davis “elétrico” numa turnê europeia, e tocou numa das faixas de Amandla (Warner, 1988).

DeFrancesco volta às lojas virtuais à frente de um novo quarteto, no CD Project Freedom
DeFrancesco volta às lojas virtuais à frente de um novo quarteto, no CD Project Freedom

Mais de 30 registros fonográficos depois na condição de líder, o tecnicamente espantoso e sempre empolgante Joey DeFrancesco volta às lojas virtuais à frente de um novo quarteto, batizado de The People, no CD Project Freedom, o seu primeiro para a etiqueta Mack Avenue. Seus comparsas são o saxofonista (tenor e soprano) Troy Roberts, que foi um dos semifinalistas da Thelonious Monk Institute of Jazz Competition de 2008, vencida por Jon Irabagon; o guitarrista Dan Wilson e o baterista Jason Brown, ambos do trio com o qual o mestre do B-3 gravou Trip Mode (HighNote, 2015).

No novo álbum, DeFrancesco apresenta sete peças de sua autoria e quatro covers que buscam (e conseguem) expressar muita paz, alegria e um pouco de espiritualidade, conforme ele mesmo acentua num press release: “Sempre achei que, na condição de músicos em turnês, estamos sempre espalhando a paz. Não importa o que acontece mundo afora, continuamos a tocar, até mesmo nos chamados lugares proibidos. Quando estamos nesses lugares, em meio a guerras e conflitos, a música como que dissolve esses problemas (…). A música é a verdadeira liberdade”.

A primeira faixa da setlist é um prelúdio de 40 segundos de Imagine, de John Lennon. Os outros temas não escritos pelo organista são: Lift every voice and sing (5m), conhecido como “o hino nacional do negro americano”, e título do álbum duplo da ECM de 2002 que o saxofonista Charles Lloyd gravou em “resposta” aos ataques terroristas de setembro de 2001 que destruíram as Twin Towers de Nova York; So near, so far (5m35), que Miles Davis notabilizou no LP Seven Steps to Heaven (Columbia, 1963); A change is gonna come (6m25), que a voz soul de Sam Cooke (1931-1964) transformou numa espécie de hino do Civil Rights Movement.

Os sete originais do organista – que eventualmente toca trompete e piano elétrico – começam com a faixa-título, Project Freedom (7m), na qual o B-3 do líder do The People abre espaço para o sax tenor de Roberts e a bateria de Brown, até que a guitarra de Wilson também intervem numa vertiginosa troca de solos entre todos eles. Em One (6m10), DeFrancesco mostra seu domínio do trompete, com deferências a Miles Davis. The unifier (5m55) é bem funky, em contraste com a balada Peace bridge (5m15). Stand up (7m40), a faixa final, é uma calorosa celebração da joie de vivre e da alegria de fazer música do The People, que se despede com um bater de palmas.

A propósito, o quarteto de DeFrancesco passa a primeira quinzena de abril em turnê pela Europa, e retorna a Nova York para se apresentar no clube Jazz Standard em quatro noites seguidas (de 20 a 23/4).

(Samples do CD Project Freedom podem ser ouvidos em:

www.prostudiomasters.com/album/page/11642)

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