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'O Alto Manhattan' de Steve Slagle

Jornal do Brasil Luiz Orlando Carneiro

O saxofonista alto Steve Slagle, 64 anos, é um daqueles respeitados “músicos para músicos”. Embora muito admirado no milieu, não costuma aparecer nas listas anuais dos melhores instrumentistas promovidas pelas revistas especializadas como a Downbeat ou a JazzTimes.

No entanto – como consta do seu site – lançou 14 discos na condição de líder; foi diretor, arranjador e solista da Mingus Big Band durante um longo período; integrou o celebrado noneto de Joe Lovano, cujo CD 52th Street Themes (Blue Note) ganhou o Grammy de 2001 na categoria “Best Large Jazz Ensemble”.

Steve Slagle volta agora às lojas virtuais com o álbum Alto Manhattan (Panorama Records), à frente de um quarteto, tendo ao seu lado Lawrence Fields (piano), Gerald Cannon (baixo) e Bill Stewart (bateria). O conjunto tem como convidados, em três faixas, o eminente Joe Lovano (saxes tenor e mezzo soprano) e, em algumas delas, Roman Diaz (congas), que fornece o necessário tempero afro-cubano.

No seu novo álbum, em quarteto, saxofonista tem Joe Lovano como convidado

Upper Manhattan (Alto Manhattan ou El Barrio para os hispânicos) é uma parte do Harlem (mais ou menos entre as ruas 97 e 116, East) também conhecida como Spanish Harlem, habitada por muitos portorriquenhos, cubanos, dominicanos e/ou seus descendentes. E é também onde vive o saxofonista-flautista que não é “latino”, mas que foi, no início da carreira, sideman da afamada Afro-Cuban Orchestra do percussionista Machito (1908-1984).

O novo registro de Slagle não é, contudo, dedicado apenas ao Latin jazz. O qualificativo pode ser aplicado à primeira e à última das nove faixas do CD - Family (7m05) e Viva la famalia (6m55) - nas quais atua o conguero Roman Diaz. Em Family, o ilustre convidado Joe Lovano brilha como sempre no sax tenor, solando logo depois do líder no sax alto e antes do emergente pianista Lawrence Fields.

Somente três peças do setlist não são assinadas pelo saxofonista-líder: Inception (5m55), do mestre pianista McCoy Tyner, e título do seu primeiro álbum em trio (Impulse, 1962); I guess I'll hang my tears out to dry (6m30), balada da década de 1940 de Jule Styne; a eterna Body and soul (4m55). A interpretação desta última é particularmente notável, com o sax alto a capella citando Round midnight, de Thelonious Monk, e Lonely woman, de Ornette Coleman.

Steve Slagle toca flauta em Holiday (5m24), escrita em memória do gaitista Toots Thielemans (1912-2016), e na já citada Viva la famalia (com Joe Lovano no mezzo soprano). O sax alto do líder, à frente do quarteto básico, dá um show na parkeriana faixa-título (3m50).

O respeitado crítico de jazz Kevin Whitehead, da National Public Radio (NPR), qualificou o novo álbum de Slagle – notop of his game - de “harmonicamente sofisticado e ritmicamente agressivo”. Além disso, é envolvente, magnético, do início ao fim.

(Ouvir samples de Alto Manhattan em: www.cdbaby.com/cd/steveslagle2)



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