Jornal do Brasil

Quarta-feira, 30 de Julho de 2014

Jazz

Ted Rosenthal recria, em trio, 'Rhapsody in blue'

Luiz Orlando Carneiro

O pianista Ted Rosenthal, hoje com 54 anos, apareceu na cena jazzística em 1988, ao vencer a segunda Thelonious Monk Jazz Competition, que se tornou, com o correr do tempo, o mais importante concurso anual internacional aberto a jovens instrumentistas. Os jurados que premiaram o então new star foram os mestres Tommy Flanagan, Roland Hanna, Barry Harris, Hank Jones e Roger Kellaway.

Mas foi com o álbum Images of Monk (Jazz Alliance), gravado em dezembro de 1992, que Rosenthal exibiu os seus dotes excepcionais também como compositor e arranjador, na liderança de um sexteto de altíssimo nível (Brian Lynch, trompete; Dick Oatts, saxofones; Mark Feldman, violino; Scott Colley, baixo; Marvin “Smitty” Smith, bateria). Naquele disco, compôs – com espaços para a improvisação, é claro – uma ambiciosa suíte integrando temas de Thelonious Monk – de I mean you aPanonica, passando por Ruby my dear e Let's call this, e tendo como amálgama acordes de Brilliant corners (abertura, dois interlúdios e epílogo).

Novo CD do pianista contém também outros sete temas de Gershwin
Novo CD do pianista contém também outros sete temas de Gershwin

Depois de 14 CDs por ele assinados, a maioria em trio, Ted Rosenthal vem de lançar, com a mesma formação (Martin Wind, baixo; Tim Horner, bateria), Rhapsody in Gershwin (Playscape Recordings). O novo álbum abre com uma versão arranjada para o trio, de 17 minutos, de Rhapsody in blue, a opus magna de George Gershwin (O LP de 1959 da obra original, com Leonard Bernstein regendo a Columbia Simphony Orchestra, tem pouco mais de 16 minutos).

As sete outras faixas são interpretações bem mais curtas, mas nem por isso menos envolventes - seja em matéria de técnica seja em matéria de criatividade – das seguintes melodias de Gershwin, há muito incorporadas ao Great American Songbook:Fascinatin' rhythm (5m55); Let's call the whole thing off (4m55); I loves you Porgy (5m40), da ópera Porgy and BessThey can't take that away from me (5m30); Strike up the band (6m10); Someone to watch over me (6m30); Love walked in (6m50).

Nas notas do seu novo disco, Ted Rosenthal escreveu: “Este arranjo em trio da Rhapsody nasceu de considerações práticas quando me chegou uma oferta de performance da peça, mas sem o orçamento suficiente para contratar uma orquestra. Meu arranjo engloba praticamente a peça como um todo, embora orquestrada para trio, e também dá a cada membro a chance de solar em várias seções. Antes de tudo, procurei manter nos arranjos a integridade da obra (Rhapsody in blue), acrescentando improvisações extras, e procurando fazer as seções-solos inevitáveis através de suaves transições”.

Mas o sucesso do álbum não se deve apenas ao virtuose do piano – que explora como poucos os recursos orquestrais de um Steinway – ou ao arranjador da versão para trio da rapsódia de Gershwin. As atuações do baixista Martin Wind e do baterista Tim Horner são excelentes e absolutamente indispensáveis em todas as faixas dessa reinterpretação da parte “séria” e do lado “popular” da obra do grande compositor americano, que morreu, aos 38 anos, em 1937. Destaque especial para os acólitos de Ted Rosenthal nos flamejantes tratamentos de Fascinatin' rhythm e Love walked in.

P.S. - Quem quiser ouvir um sound clip de 4m35 de Rhapsody in blue e Let's call the whole thing off (a faixa inteira) é só entrar e clicar no site de Ted Rosental (www.tedrosenthal.com/cds.htm#rhapsody).

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