Jornal do Brasil

Terça-feira, 2 de Setembro de 2014

Jazz

Arte de J.D. Allen floresce em Bloom

Luiz Orlando Carneiro

Aos 42 anos, J.D. Allen não é um saxofonista tenor tão ouvido e festejado no planeta jazz como seus contemporâneos (um pouco mais velhos) Ravi Coltrane, James Carter, Joshua Redman, Eric Alexander e Chris Potter. No entanto, em termos de domínio do instrumento, está no mesmo nível deles. Na eleição anual dos críticos da revista Downbeat, em 2011, Allen foi o mais votado, entre os tenoristas, na categoria rising star (estrela em ascensão).

Naquele mesmo ano, ele lançara o aplaudido CD Victory! (Sunnyside), que ficou em terceiro lugar na lista The best jazz albums 2011 da National Public Radio (NPR). O título Victory! era também uma comemoração do sucesso do trio do saxofonista (Gregg August, baixo; Rudy Royston, bateria). E também do compositor, que assinou todas as faixas da seleção, com exceção do standard Stairway to the stars.

No novo álbum, saxofonista tenor lidera quarteto com pianista Orrin Evans 
No novo álbum, saxofonista tenor lidera quarteto com pianista Orrin Evans 

No mês passado, o selo Savant editou o álbum Bloom, no qual J.D. reaparece, desta vez à frente de um quarteto com Orrin Evans (piano), Jonathan Barber (baixo) e Alexander Claffy (baixo). O título do disco – que significa florescer ou florescimento - é também o de um dos oito temas de autoria do líder que estão no menu. Os temas restantes são duas baladas imortais:Stardust, o clássico de Hoagy Carmichael, escrito no fim da década de 1920; If you could see me now, do lendário pianista-compositor bop Tadd Dameron (1917-65).

No novo registro, J.D. Allen reafirma todas as suas qualidades de compositor e solista. E sobretudo o seu fraseado franco,straight to the point, sem firulas, exposto em variações melódico-harmônicas congruentes, mas nem por isso óbvias. O seu som é robusto e perfeito para suas “declarações” sem rodeios. Navega à vontade na mainstream do jazz, mas não é absolutamente “quadrado”. É um pós-bopper refinado que reverencia mestres da magnitude de Sonny Rollins e Joe Henderson.

A estas qualidades ele alia a da concisão. O CD não vai além de 40 minutos. A faixa mais longa é a bem movimentadaBloom (6m); a mais breve é Secret live of guest workers (3m10), momento muito especial para se apreciar a sincronização sax-bateria.

Outros pontos culminantes do álbum – sem esquecer as baladas já citadas – são Car-Car/The blues (4m15), com uma primorosa abertura do notável pianista Orrin Evans, e Pater noster (3m15), meditação sobre as raízes gospel do jazz.

BMW JAZZ FESTIVAL

Na etapa carioca do BMW Festival - iniciado em São Paulo na última quinta-feira, e o melhor do gênero no país – dois gigantes do jazz apresentam-se, neste domingo (1º/6), no Vivo Rio (Parque do Flamengo), a partir das 20h: o pianista Ahmad Jamal e o saxofonista-alto Kenny Garrett.

O magnífico Jamal, 84 anos, tem fascínio pelas ressonâncias e timbres do pianoforte, dando-lhe um tratamento orquestral rico, pleno de mudanças repentinas de ritmo e de variado colorido melódico-harmônico. É sempre surpreendente, mesmo recriando Poinciana - seu primeiro hit, ainda na década de 1950. Ele vem à frente do seu quarteto com Reginald Veal (baixo), Herlin Riley (bateria) e o percussionista Manolo Badrena. Na setlist, faixas do seu último CD, Saturday Morning (Jazz Village), que foi comentado e indicado por esta coluna (26/10/2013).

Kenny Garrett, 53 anos, começou a brilhar ainda bem jovem, e foi escalado pelo Miles Davis fusionista para integrar o seu time no álbum Amandla (Warner, 1988). Adquiriu luz e estilo próprios – com reverências a Charlie Parker e John Coltrane - e tornou-se uma das estrelas do sax alto no jazz. Seus dois últimos CDs – Seeds from the underground (2102) e Pushing the world away (2013), ambos do selo Mack Avenue - foram indicados para o Grammy (melhores álbuns jazzísticos do ano). E é no repertório deste último disco que ele vai basear a apresentação do seu quinteto, do qual fazem parte Benito Gonzales (piano), Corcoran Holt (baixo), Marcus Baylor (bateria) e Rudy Bird (percussão).

Tags: Artigo, coluna, jazz, JB, luiz, orlando

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