Jornal do Brasil

Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2014

Jazz

Saiu do forno o novo CD de Sonny Rollins

Luiz Orlando Carneiro

Em setembro de 2011, Sonny Rollins, a maior figura viva (e ainda ativa) do jazz, editou no seu selo Doxy o álbum Road shows, vol.2, contendo um registro parcial do sensacional concerto realizado um ano antes no Beacon Theatre, Nova York, comemorativo do 80º aniversário do Saxophone Colossus. O disco foi eleito, como não podia deixar de ser, o “disco do ano” pelos críticos da JazzTimes e de outras publicações especializadas. O mesmo ocorrera em 2009, quando foi lançado o primeiro volume da série – uma seleção também feita pelo próprio gigante do sax tenor de gravações inéditas de performances ao vivo na Europa e no Japão (1980-2000), e também no Carnegie Hall (2007).

Sonny “Newk” Rollins já é, novamente, forte candidato à eleição de protagonista do “disco do ano” com o release, em CD ou em iTunes, na última terça-feira (3/5), de Road shows, vol. 3 – distribuição conjunta da Sonny Music Masterworks-Okeh.

São ao todo seis faixas, com pouco mais de 70 minutos de música (e ovações), gravadas entre 2001 e 2012 em concertos no Japão (Saitama), na França (Toulouse, Marselha e Marciac) e nos Estados Unidos (St. Louis, Missouri).

'Road Shows, vol. 3' contém faixas de concertos gravados entre 2001 e 2012, escolhidas pelo próprio saxofonista
'Road Shows, vol. 3' contém faixas de concertos gravados entre 2001 e 2012, escolhidas pelo próprio saxofonista

Nas notas do CD, Bob Blumenthal escreveu: “Como um dos poucos músicos de jazz capazes de moldar a carreira, exclusivamente, como 'artista de concerto', Rollins tem feito de suas aparições acontecimentos que misturam a 'seriedade' de um recital 'clássico' com a criação participativa de uma música sempre fundada em facetas várias do sistema 'pergunta-resposta'. No topo de sua arte, Rollins nos mostra, aqui e nos prévios Road shows, como transformar a espontaneidade do momento em coleções únicas de climas, grooves e sentimentos”.

Neste terceiro álbum da antologia pessoal do canonizado mestre do sax tenor, as faixas são as seguintes: Biji (8m30), o contagiante tema que ele lançou em Sonny Rollins + 3 (Milestone, 1996);

Patanjali (12m25), peça mais ou menos nova, inspirada numa coleção fundamental de sutras indianos da concepção ioga de vida; Someday I'll find you (15m15), de Noel Coward, standard que Newk gravou no icônico LP Freedom Suite (Riverside, 1958) e, mais recentemente, em Sonny, please (Doxy, 2006); Why was I born (23m30) - “um monumento aos poderes emocionais” do colosso do saxofone, segundo Bob Blumenthal; Solo Sonny (8m30), um “exercício” do virtuose do instrumento inventado por Adolphe Sax em 1840, e reinventado por Coleman Hawkins na década de 1930; Don't stop the carnival (4m20), aquele “calipso” bem dançante com o qual Sonny costuma encerrar os seus ovacionados concertos.

Os sidemen do saxofonista são os fidelíssimos Bob Cranshaw (baixo) e Clifton Anderson (trombone), em todos os showsselecionados, e, variando de faixas, Stephen Scott (piano); Bobby Broom e Peter Bernstein (guitarras); os bateristas Kobie Watkins, Perry Wilson, Steve Jordan e Victor Lewis; os percussionistas Kimati Dinizulu e Sammy Figueroa.

Mesmo no concerto gravado em Marciac (julho de 2012), o octogenário Newk exibe – como se fosse ainda um quarentão – aquele “discurso” impactante, cuja inventividade melódica flui do seu saxofone como torrente inesgotável, implacável como lava de um vulcão em constante erupção. 

Tags: coluna, jazz, JB, luiz, orlando, texto

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