Jornal do Brasil

Segunda-feira, 24 de Novembro de 2014

Jazz

Jazz ao vivo nas noites de Nova York

Luiz Orlando Carneiro

O pequeno clube de jazz Smalls, situado num basement na Rua 10 West, em Greenwich Village, Nova York, tem lugar, apenas, para 60 pessoas. Mas é um dos endereços mais procurados pelos jazzófilos enturmados e por músicos – tarimbados e jovens de muito talento - que lá tocam ou vão ouvir seus colegas todas as noites e madrugadas. O pianista Spike Wilner, dono do clube, fundou, em 2010, o selo Live at Smalls, que já produziu mais de 30 álbuns de conjuntos que lá se apresentaram, gravados ao vivo. O pianista Ethan Iverson, o guitarrista Peter Bernstein, o baixista Omer Avital, o pianista-organista Larry Goldings e o saxofonista Joel Frahm são algumas das estrelas do selo Live at Smalls.

Do outro lado de Manhattan, no Upper West Side, na Broadway, entre as ruas 105 e 106 (esta também conhecida como o Duke Ellington Boulevard), há um outro pequeno e acolhedor clube de jazz, do mesmo nível musical do Smalls. Estamos falando do Smoke, que tem a vantagem de contar com uma boa cozinha, sob a chefia de Patricia Williams.

Clube Smoke lança CD de David Hazeltine, o quarto registro do novo selo 
Clube Smoke lança CD de David Hazeltine, o quarto registro do novo selo 

Pois neste sábado (15/3), o Smoke promove o lançamento do quarto álbum da recém-fundada etiqueta Smoke Sessions Records, cuja razão de ser é a mesma da Live at Smalls – registrar a música concebida ao vivo, no palco de um clube, numa determinada noite, por jazzmen do primeiro time de Nova York.

Este CD – que estará à venda no início de abril, mas cujas nove faixas já podem ser compradas em itunes – intitula-se For all we know, e apresenta o quarteto do notável pianista David Hazeltine, integrado por Seamus Blake (sax tenor), David Williams (baixo) e Joe Farnsworth (bateria). Dentre os temas da sessão, além do standard que dá nome ao álbum, destacam-se: Et Cedra (6m10), original do pianista dedicado a mestre Cedar Walton, falecido no ano passado; My ship (8m55), o clássico de Kurt Weill; Cheryl (9m35), de Charlie Parker.

No último dia 4, a nova gravadora Smoke lançou o seu terceiro registro ao vivo, com foco no saxofonista tenor Javon Jackson (aquele que começou a brilhar nos Jazz Messengers de Art Blakey, no fim da década de 80), no comando de um quarteto com Orrin Evans (piano), Corcoran Holt (baixo) e McClenty Hunter (bateria). São ao todo 10 faixas, de sets de julho do ano passado, incluindo originais do líder, temas populares como Don't you worry 'bout a thing (Stevie Wonder) e When I fall in love(Nat King Cole), além de peças de jazzmen da estatura de Wayne Shorter (One by one) e de George Cables (Think on me).

Os dois primeiros álbuns do novo selo Smoke foram editados em janeiro e fevereiro, e são também ótimos flagrantes de renomados habitués do clube do Upper West Side: Right on time, do trio do respeitado pianista Harold Mabern, na noitada em que comemorou o seu 77º aniversário, em março do ano passado, em trio com o baixista John Weber e o baterista da casa Joe Farnsworth; The Uptown shuffle, do saxofonista alto Vincent Herring, tido como o herdeiro de Julian “Cannonball” Adderley, na companhia do magnífico pianista Cyrus Chestnut, do baterista Farnsworth e do baixista Brandi Disterheft.

Os quatro primeiros discos gravados no e pelo clube Smoke são momentos vivos do que de melhor acontece (na acepção original deste verbo) em termos da moderna jazz mainstream na capital mundial do jazz.

Tags: coluna, jazz, JB, luiz, música, orlando

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