Jornal do Brasil

Quarta-feira, 16 de Abril de 2014

Jazz

Helen Sung lança CD definitivo com convidados ilustres

Luiz Orlando Carneiro

Nascida no Texas, de ascendência chinesa, a ainda jovem pianista Helen Sung radicou-se em Nova York, depois de ter estudado no New England Conservatory, em Boston, e de ter sido semifinalista na Thelonious Monk International Competion (1999). Em 2007, ela ganhou a Mary Lou Williams Piano Competition, anualmente promovida pelo Kennedy Center, em Washington.

Muito apreciada pela crítica especializada e habituée dos melhores clubes de jazz de Manhattan, Helen Sung vem de lançarAnthem for a new day - o seu sexto CD como líder, e o primeiro para a etiqueta Concord Jazz.

O novo álbum é também o primeiro em que a pianista exibe, em maior amplitude, os seus dotes de compositora e arranjadora, em 10 faixas, à frente de um sexteto formado por músicos de grande prestígio, mais dois ilustríssimos convidados: Paquito D´Rivera (clarinete), numa bem percussiva versão de Armando's rhumba (4m35), de Chick Corea; Regina Carter (violino), na balada Never let me go (7m15) e em Hidden (5m45), da pena de Sung.

'Anthem for a new day' é o primeiro disco da pianista para o selo Concord Jazz
'Anthem for a new day' é o primeiro disco da pianista para o selo Concord Jazz

“Quando ouço a palavra 'anthem' (hino), penso em bandeiras e estandartes”, diz ela sobre Anthem for a new day. “Este álbum é o meu jeito de plantar minha bandeira no terreno. A jornada continua, mas, a esta altura, sinto uma confiança que nunca tinha sentido antes”.

A autoconfiança de Helen Sung tem como base uma sólida formação clássica e o domínio posterior do idioma do jazz – aquele “sound of surprise” a que se referiu Whitney Balliett – tal como concebido e praticado pelos geniais Bud Powell e Thelonious Monk.

E o domínio que tem do teclado e do conjunto que lidera fica claro logo na abertura do CD, na sua peça Brother Thelonious(5m35), na qual o sexteto também logo exibe a autoconfiança de seus demais integrantes: os excepcionais Seamus Blake (saxes tenor e soprano), Ingrid Jensen (trompete), Obed Calvaire (bateria) e Reuben Rogers (baixo), mais o percussionista Samuel Torres.

O fraseado elegante e o toucher perfeito da pianista-líder são marcantes, e dão vida nova mesmo a um tema tão batido como o clássico It don't mean a thing (If it ain't that swing), de Duke Ellington. Mas Sung comenta que sempre procura “apresentar algo familiar de maneira inesperada” - o que ela consegue, definitivamente, na reinvenção de Epistrophy (5m30), “sacrossanta” composição de Thelonious Monk, na qual ela emprega o elétrico Fender Rhodes para efeitos especiais.

O mesmo tipo de teclado é também usado na faixa-título (de 5m40), em contraste com o sombreado do clarinete baixo do convidado John Ellis. Mas é no teclado de marfim do grand piano que Helen Sung dá mais brilho à sua já vitoriosa carreira, em qualquer mood - seja na interpretação bem free e assimétrica de Chaos theory (5m), com Seamus Blake no sax soprano, seja na breve e delicada conclusão solo do disco, Equipoise (2m15), tema do underrated pianista Stanley Cowell.

Tags: coluna, jazz, JB, luiz, música, orlando

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