Jornal do Brasil

Sexta-feira, 29 de Agosto de 2014

Jazz

San Francisco Jazz Collective comemora 10 anos

Luiz Orlando Carneiro

O San Francisco Jazz Collective é um oiteto criado há quase 10 anos, e mantido pela organização SF Jazz – correspondente, na West Coast, ao Jazz at Lincoln Center, em Nova York. Com espírito de corpo e concepção semelhantes ao adormecido Jazz Composers Collective novaiorquino (Frank Kimbrough, Ted Nash, Ben Allison, Matt Wilson & Cia), o SFJC é integrado, sempre, por músicos do “primeiro time” do jazz. Na formação inicial estavam Nicholas Payton (trompete), Bobby Hutcherson (vibrafone), Joshua Redman (saxes tenor e soprano), Miguel Zenón (sax alto), Josh Roseman (trombone), Renée Rosnes (piano), Brian Blade (bateria) e Robert Hurst (baixo).

O SFJC reúne-se anualmente, na primavera, quando são ensaiadas composições de seus integrantes e peças de um dos “grandes” do jazz moderno. Os frutos desse trabalho são apresentados em concertos e gravados ao vivo. No primeiro ano, o grupo dedicou-se à obra de Ornette Coleman. Nos anos seguintes, os “autores” selecionados foram, pela ordem, John Coltrane, Herbie Hancock, Thelonious Monk, Wayne Shorter, McCoy Tyner e Horace Silver. Nas temporadas de 2011 e 2012, por razões diversas, a temática escolhida foi a do bem mais pop Stevie Wonder.

Novo álbum duplo celebra obra de Chick Corea
Novo álbum duplo celebra obra de Chick Corea

Na temporada do ano passado, o “livro” escolhido foi o do celebrado pianista-compositor Chick Corea. E já está à venda, em tiragem reduzida, o CD duplo The music of Chick Corea & New compositions, gravado em quatro noites de março de 2013, no recém-inaugurado auditório do SF Jazz Center. Das 14 faixas da caixa, sete estão disponíveis em iTunes.

O atual time do SFJC – que teve, ao todo, 20 músicos em 10 anos – é o seguinte: Miguel Zenón (o único do grupo original), David Sánchez (sax tenor), Avishai Cohen (trompete), Robin Eubanks (trombone), Stefon Harris (vibrafone), Edward Simon (piano), Matt Penman (baixo) e Obed Calvaire (bateria). Eles atuam como instrumentistas, compositores (com exceção de Calvaire) e arranjadores – neste caso recriando peças do mestre homenageado.

Mas o atual oiteto realça, de maneira notável, o fato de que o jazz é, cada vez mais, um modo universal de expressão musical, embora cioso de suas raízes afro-americanas. Cinco dos brilhantes membros do SFJC não nasceram nem foram criados nos Estados Unidos, embora lá tenham se radicado. Zenón e Sánchez vieram de Porto Rico; Simon é venezuelano; Penman nasceu na Nova Zelândia; Cohen é israelense.

Os temas escolhidos da obra de Chick Corea, e seus respectivos arranjadores, foram: Spain (12m10), Edward Simon;Rumble/City gate (5m35), Matt Penman; Space circus (8m10), Robin Eubanks; La fiesta (10m45), Miguel Zenón; Matrix(9m40), Avishai Cohen; 500 miles high (10m10), Stefon Harris; Crystal silence (9m30), David Sánchez.

As outras sete faixas e seus respectivos compositores são: Let's take a trip to the sky (10m35), Harris; Gibraltar (9m25), Sánchez; Home is (13m20), Cohen; Vegan Las Vegas (9m40), Penman; Incessant desires (11m55), Simon; Grand opening(15m50), Zenón; Shifting centers (10m), Eubanks.

O SF Jazz Collective continua a produzir música encorpada e envolvente, baseada na temática dos gigantes do jazz dito moderno (a partir dos boppers) e nos originais de seus integrantes, que também dispõem de espaço generoso para exibir os seus dotes de solistas. Sobretudo os excepcionais saxofonistas David Sánchez e Miguel Zenón.

Tags: Artigo, coluna, jazz, luiz, música, orlando

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