Jornal do Brasil

Sábado, 2 de Agosto de 2014

Jazz

Os 3 Cohens na corda bamba

Luiz Orlando Carneiro

Tightrope, em inglês, significa corda bamba (aquela dos equilibristas) ou uma situação particularmente difícil. E vem a ser o título do mais recente CD dos 3 Cohens – Anat (clarinete, sax tenor), Avishai (trompete) e Yuval (sax soprano) – gravado em fevereiro do ano que passou, e lançado pelo selo Anzic.

Estes músicos israelenses graduados no Berklee College of Music, de Boston, radicados em Nova York há 15 anos, têm sólida reputação não só nos Estados Unidos e em Israel, mas também em todos os países onde se apresentaram, inclusive no Brasil, em concertos e festivais, com o sexteto por eles batizado de os 3 Cohens. Anat tem sido eleita, nos últimos anos, a clarinetista nº 1 do jazz e uma das principais rising stars do sax tenor nos referendos de críticos e de leitores das mais influentes revistas especializadas.

Tightrope é uma ousada sessão dos irmãos Cohen por que, em 13 das 18 faixas do álbum, eles se apresentam em trio, sem nenhuma “rede de proteção”. Ou seja, sem o apoio rítmico-harmônico (baixo-piano-bateria) existente no aclamado sexteto dos discos anteriores (One, 2004; Braid, 2007; Family, 2010).

Yuval (sax soprano), Anat (clarinete, sax) e Avishai (trompete) lançam disco sem seção rítmica
Yuval (sax soprano), Anat (clarinete, sax) e Avishai (trompete) lançam disco sem seção rítmica

Além disso, cinco destas faixas são totalmente improvisadas, coletivamente, sob o título de Conversations – brevíssimas confabulações musicais que variam de 1m05 a 2m10. Anat Cohen (a mais falante, a irmã do meio, 38 anos) assim comenta estes “free flashes” do CD: “Agente pode falar sem falar. Na maior parte do tempo, no palco, nem mesmo olhamos um para o outro. Temos uma tal história juntos que sentimos um o outro através da música”.

As peças, digamos, mais “trabalhadas” pelo original trio de sopros são as seguintes: Blueport (3m05) e Festive minor (4m40), lembranças de um LP de 1959 (!) do quarteto Gerry Mulligan (sax barítono)-Art Farmer (trompete); Hot house (3m), um dos “hinos” do bebop, de Tadd Dameron; There's no you (2m30), balada com destaque para o trompete de Avishai; uma versão irresistível da velha Indiana (3m), com prevalência do clarinete de Anat; It might as well (3m); Ai li lu li lu (3m05), canção infantil iídiche que embalou os três; Mantra (2m05), com Anat no clarinete baixo.

Os 3 Cohens viram quarteto em cinco faixas, aproveitando a visita – nas duas sessões de gravação – do ilustre pianista Fred Hersch, do mestre do contrabaixo Christian McBride e de Jonathan Blake, um dos mais brilhantes bateristas da geração nascida na década de 70.

Hersch contribui com a sua peça Song without words #4 (6m15), a mais longa do disco, e junta-se ao trio de sopros (Anat no clarinete) em versões de Estaté (5m05) e I mean you (2m55), de Thelonious Monk. O baterista Blake aparece em Black(4m55) e o baixista McBride na velha Just squeeze me (5m15), de Duke Ellington (Anat Cohen toca sax tenor na primeira e clarinete na segunda). 

Tags: Artigo, coluna, jazz, luiz, música, orlando

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