Jornal do Brasil

Sexta-feira, 25 de Abril de 2014

Jazz

Gary Burton, Christian McBride e Kenny Garrett indicados para o Grammy 2014

Luiz Orlando Carneiro

Na semana passada, saíram os cinco finalistas (nominees) em cada uma das 82 categorias do 56º Grammy (o “Oscar” da indústria fonográfica). Os vencedores do Grammy 2014 serão anunciados no dia 26 de janeiro, em Los Angeles, numa festança no Staples Center. E o jazz – apesar de aparecer, apenas, em cinco “divisões” - estará mais uma vez bem representado, principalmente no que se refere à seleção dos melhores álbuns instrumentais (pequenos conjuntos), dos CDs de orquestras (ou large ensembles), e em matéria de Latin jazz.

Na categoria “best jazz instrumental album” os jurados da Recording Academy privilegiaram – sem que se esteja dando ao verbo qualquer sentido protecionista – as gravadoras Mack Avenue e Concord Jazz.

Lista dos "nominees" na área do jazz inclui CD da baterista Terri Lyne Carrington 
Lista dos "nominees" na área do jazz inclui CD da baterista Terri Lyne Carrington 

A primeira editou três dos cinco discos indicados: Guided tour, o segundo do “novo” quarteto do grande vibrafonista Gary Burton, 70 anos, à frente dos bem mais jovens mas nem por isto menos brilhantes Julian Lage (guitarra), Antonio Sanchez (bateria) e Scott Colley (baixo); Pushing the world away, do notável saxofonista (alto e soprano) Kenny Garrett - em companhia variada - sempre surpreendente, mas sem nunca esquecer de reverenciar os canonizados Sonny Rollins e John Coltrane; Out here, um trio acústico-straight-ahead formado pelo eminente contrabaixista Christian McBride e duas estrelas em ascensão que atendem pelos nomes de Christian Sands (piano) e Ulysses Owens, Jr (bateria).

A Concord Jazz concorre ao gramofone de ouro no quesito jazz combo com dois álbuns mais conceituais e de mais amplo espectro: Money jungle/Provocative in blue, uma homenagem meio discursiva e meio pop ao cinquentenário do antológico LP Money jungle (Duke Ellington-Charles Mingus-Max Roach) bolada pela já Grammy-winner baterista Terri Lyne Carrington, em trio com Christian McBride e o pianista Gerald Clayton, mais convidados; Life forum, concebido e liderado por Gerald Clayton, ao lado de estrelas bem variadas como Ambrose Akinmusire (trompete), Dayna Stephens (sax tenor), Justin Brown (bateria) e a vocalista Gretchen Parlato. 

Na categoria “best large ensemble”, o álbum favorito é Brooklyn Babylon (New Amsterdam Records), obra de fôlego do premiado compositor-band leader Darcy James Argue.

Os outros CDs indicados foram: Wild beauty (HalfNote), uma suíte de composições de mestre Joe Lovano (também solista no sax tenor), em arranjos de Gil Goldstein executados pela Orquestra de Jazz de Bruxelas; Night in Calisia (Summit), com o trompetista Randy Brecker à frente da Filarmônica de Kalisz (Polônia), em concerto gravado naquela cidade, em 2010; March sublime (Sunnyside), da orquestra de 17 membros dirigida pelo trombonista Alan Ferber, que atuou durante alguns anos na histórica Vanguard Jazz Orchestra; Intrada (Origin), assinado pelo arranjador Dave Slonaker, no comando de uma big band de Los Angeles, com músicos do quilate de Wayne Bergeron (trompete), Bob Sheppard (saxes) e Peter Erskine (bateria).

Na ressuscitada divisão especial de “best Latin jazz album”, os nominees são: Song for Maura (Sunnyside), disco gravado em São Paulo, no ano passado, pelo magnífico Paquito D'Rivera (sax alto, clarinete), com o Trio Corrente (Fábio Torres, piano; Edu Ribeiro, bateria; Paulo Paulleli, baixo); Yo (Concord), mais um feito de Roberto Fonseca, da nova geração de ases do piano “made in Cuba”; Eggun/ The Afri-Lectric experience (Otá Records), do veterano e também cubano Omar Sosa, com participação especial do guitarrista Lionel Loueke, africano do Benin, há muito cidadão do mundo; La noche más larga (Warner Music), da vocalista Concha Buika, nascida em Palma de Mallorca, e cuja voz teve destaque no filme A pele que habito, de Almodóvar; Latin jazz-Jazz Latin (Patois), do quinteto bem percussivo do trombonista Wayne Wallace, músico muito conhecido e respeitado na cena jazzística de San Francisco. 

JIM HALL (1930-2013)

Nesta última terça-feira (10/12), o guitarrista Jim Hall morreu, no seu apartamento, em Greenwich Village, NYC. Dono de uma técnica perfeita e confortável swing, a serviço de extrema sutileza melódica, James Stanley Hall revelou-se na cena jazzística como integrante de dois conjuntos então tidos como “experimentais”: o quinteto do baterista Chico Hamilton (1955-56) e o trio do clarinetista Jimmy Giuffre (1956-59). Nos anos 60, acompanhou Sonny Rollins na volta do saxofonista aos estúdios, em 1962 (The bridge, RCA) e gravou, naquele mesmo ano, o também antológico Undercurrent (Blue Note), em duo com o pianista Bill Evans. De formação inicialmente clássica, foi um dos mais influentes guitarristas da história do jazz, desde que Charlie Christian (1919-42) deu vida própria ao instrumento amplificado, e Barney Kessel (1923-2004) o elevou ao mesmo nível dos horns. Da sua riquíssima discografia destaco ainda: Concierto (CTI, 1975), com Chet Baker (trompete) e Paul Desmond (sax alto), contendo uma versão de 19 minutos do Concierrto de Aranjuez, de Joaquin Rodrigo; Alone together (Milestone-OJC, 1972), em duo com o baixista Ron Carter; Hemispheres (Artistshare, 2007-08), álbum duplo com o também extraordinário guitarrista Bill Frisell, em duo e em quarteto (Scott Colley, baixo; Joey Baron, bateria). 

Tags: Artigo, coluna, jazz, luiz, música, orlando

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