Jornal do Brasil

Sexta-feira, 18 de Abril de 2014

Jazz

Wayne Shorter: consagração definitiva

Luiz Orlando Carneiro

Lenda viva do jazz, o octogenário saxofonista-compositor Wayne Shorter mereceu, meses atrás, uma consagração extraordinária. A maioria dos 165 críticos do mundo todo, convocados pela revista Downbeat para o tradicional pleito dos melhores músicos de jazz, elegeu-o “o artista do ano”; líder do melhor grupo de jazz (o quarteto com o pianista Danilo Perez, o baixista John Patitucci e o baterista Brian Blade); autor do melhor CD do período, Without a net (Blue Note); e o número um entre os especialistas do sax soprano.

Neste fim de ano, na eleição dos leitores da chamada Bíblia do jazz – o 78º Annual DB Readers Poll – a consagração foi confirmada. E ampliada. Shorter chegou em primeiro lugar, também, em todas aquelas categorias, e ainda venceu no quesito “melhor compositor”.

Saxofonista-compositor foi o grande vencedor dos referendos anuais da revistaDownbeat
Saxofonista-compositor foi o grande vencedor dos referendos anuais da revistaDownbeat

O CD Without a net – conforme os detalhes da eleição publicados na edição deste mês da DB – recebeu 870 votos, no alto da lista dos melhores do ano. Os nove álbuns que vieram em seguida, com os respectivos números de votos do “leitorado”, foram: Somewhere (ECM), do trio do pianista Keit Jarrett (573 votos); Now here this (Abstract logic), do guitarrista John McLaughlin (492); Hot house (Concord), do primoroso duo Chick Corea-Gary Burton (465); Four Mfs playin' tunes (Marsalis), com o quarteto do saxofonista Branford Marsalis (438); Unity Band (Nonesuch), do mago da guitarra Pat Metheny à frente do novo quarteto com o saxofonista Chris Potter (420); Brooklyn Babylon (New Amsterdam), com a orquestra Secret Societyde Darcy James Argue, a nova sensação entre os compositores e arranjadores (363); Seeds from the underground(MackAvenue), do notável saxofonista alto Kenny Garrett (336); Star of Jupiter (Wommsuic), álbum duplo do eminente guitarrista Kurt Rosenwinkel (330); Return to Forever/The mothership returns (Eage Rock), dois discos revivalistas do eclético e sempre criativo Chick Corea (312).

Os dois CDs mais votados pelos leitores da DB nesta lista dos melhores do ano foram recomendados por esta coluna, respectivamente, nas edições de 23/2 e 15/6.

Sobre Without a net, anotei então: “O novo álbum do quarteto de Shorter é o quarto, depois de Footprints live! (2002),Alegria (2003), e Beyond the sound barrier (2005) – estes três editados pela Verve. E o título Without a net – ou seja, sem rede de proteção – é muito apropriado, pois os quatro jazzmen assumem todos os desafios e riscos inerentes à criação de uma música sem a habitual lógica das chord changes e da divisão de solos ou choruses, a partir de um determinado tema, em geral na forma AAB (ponte)A. Aliás, o próprio ícone do jazz disse em recente entrevista: 'I'm not a composer, I'm a decomposer'”. 

Sobre Somewhere, o segundo “melhor álbum do ano” na votação dos leitores da DB, esta coluna ressaltou tratar-se de “um pináculo na discografia do Standards Trio de Jarrett, simplesmente pelo fato de que vai se tornar tão inesquecível como os memoráveis Standards Vol.1 (1983), The cure/Live at Town Hall New York (1990), Bye bye blackbird (1991) e Up for it/ Live in Juan-les-Pins (2002)”.   

Tags: coluna, jazz, JB, música, wayne shorter

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