Jornal do Brasil

Quarta-feira, 17 de Setembro de 2014

Jazz

Christian Howes e Richard Galliano "visitam" Brasil, Cuba e Argentina

Luiz Orlando Carneiro

O violinista Christian Howes, 41 anos, de sólida formação clássica, ex-professor associado do afamado Berklee College of Music, jazzman por opção, passou a ser distinguido pela crítica especializada em 2010, com o lançamento de seu segundo CD para o selo Resonance, Out of the blue – à frente de um trio mainstream com Robben Ford (guitarra) e Bobby Floyd (órgão). Em 2011, foi o violinista mais votado entre as “estrelas em ascensão” na eleição anual dos críticos promovida pela revista Downbeat.

O mestre do acordeão Richard Galliano, nascido na França há 62 anos, dispensa maiores apresentações. É dono de uma discografia excelente, em que se destacam os seguintes títulos: Ruby, my dear (Dreyfus, 2004), com o seu New York Trio; Live in Marciac (Harmonia Mundi, 2009), em sexteto liderado por Wynton Marsalis; Plays Nino Rota (Deutsche Grammophon, 2011), em quinteto com Dave Douglas (trompete) e John Surman (saxofone, clarinete). Em 2006, no saudoso Festival de Ouro Preto, empolgou a plateia brasileira ao jazzificar o tango, a musette e o chorinho (num encontro com o extraordinário bandolinista Hamilton de Holanda).

Virtuoses do violino e do acordeão gravam, em quinteto, CD Southern exposure
Virtuoses do violino e do acordeão gravam, em quinteto, CD Southern exposure

Christian Howes e Richard Galliano reuniram-se em estúdio, ano passado, em sessão produzida pelo fundador da etiqueta Resonance, George Klabin, na companhia do jovem pianista Josh Nelson – rising star radicado em Los Angeles – e dos consagrados Lewis Nash (bateria) e Scott Colley (bateria). Do encontro surgiu o CD Southern exposure, uma espécie de travelogue por paisagens musicais brasileiras, argentinas, cubanas e até ibéricas promovido por dois virtuoses de instrumentos pouco usuais no jazz, mas que adoram oswing e o improviso intrínsecos a este modo de expressão.

O álbum contém 11 faixas, das quais quatro com temas brasileiros e três de matriz argentina: Tá boa, santa (7m40) e Sanfona (7m05), de Egberto Gismonti, Aparecida (6m50) eChoro das águas (6m20), de Ivan Lins; Oblivion (8m20), de Astor Piazzolla, Heavy tango (4m55), de Galliano, e Tango doblado (4m45), de Howes. O Latin tinge está também emCanción de amor (5m45), do guitarrista espanhol Paco de Lucía, e em Cuban chant (6m05), aquele tema caliente do pianista bop Ray Bryant (1931-2011) que Art Blakey e seus Jazz Messengers gravaram, em 1956, no LP Drum Suite (Columbia). Spleen (3m50) é um dueto entre o violino de Howes e o acordeão de Galliano. Gracias por ilustrarnos (5m40), a faixa final, assinada pelo violinista tem um meloso arranjo de cordas, e seria dispensável.

Na apresentação de Southern exposure, Howes assinala que não se trata de mais um álbum de Latin jazz, já que há uma determinação, por parte do quinteto, de “buscar algo novo”, combinando-se a “tomada de riscos” típica do jazz moderno com “um eventual approach virtuosístico clássico”.

Galliano, por sua vez, destaca o fato de o disco ter sido gravado em apenas dois dias, “como se estivéssemos em outro planeta, em condições ideais”. E exclama: “Combinar sensibilidades individuais numa linguagem internacional (a linguagem do jazz) é o real milagre da música!” 

Tags: Artigo, christian howes e richard galliano, coluna, jazz, JB, luiz orlando

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