Os Clayton Brothers lançam novo CD
Em 'The gathering', John, Jeff e Gerald têm convidados ilustres
O contrabaixista John Clayton, 60 anos, e o irmão-saxofonista Jeff, 58, tocam juntos há três décadas, à frente de uma das melhores big bands da cena jazzística – a Clayton-Hamilton Jazz Orchestra (o Hamilton é o sobrenome do outro colíder, o baterista Jeff Hamilton). Mas os Clayton Brothers também logo se destacaram em pequenos conjuntos por eles liderados e integrados, quase sempre, pelo baterista Hamilton, pelo pianista Bill Cunliffe e, a partir de 2000, pelo trompetista Terell Stafford, estrela da geração logo posterior à de Wynton Marsalis.
A “firma” Clayton Brothers ganhou sangue novo mais recentemente com a adesão de um jovem pianista fora de série, nascido em 1984, que atende pelo nome de Gerald, e que vem a ser filho do baixista John e, portanto, sobrinho do saxofonista Jeff. Quem teve o privilégio de ouvir ao vivo os Clayton Brothers, ano passado, no BMW Jazz Festival, em São Paulo - com Gerald, Stafford e o novo baterista Obed Calvaire tocando e trocando choruses, de igual para igual, com os veteranos irmãos - sabe que esse quinteto é um dos combos mais “quentes” do momento. E também mais uma evidência de que o jazz é a arte musical do devenir, mas num processo de renovação constante que não exclui a coexistência criativa de gerações distintas.
O selo-cooperativa Artistshare, criado e dirigido por Maria Schneider, vem de lançar The gathering, o terceiro CD deste grupo, que já gravara, na mesma etiqueta, Brother to brother (2008) e The new song and dance (2010) – este último um dos cinco indicados para o Grammy 2011 na categoria “melhor álbum de jazz instrumental”. The gathering, porém, é ainda mais atraente e movimentado, por contar com a participação de dois convidados muito especiais: o trombonista Wycliffe Gordon, que toca em sete das 12 faixas; o vibrafonista Stefon Harris, presente em quatro takes.
O título do disco traduz, num único substantivo, o espírito de uma reunião ou congregação de ilustres músicos para fazer jazz sem maiores “conceitualismos”, como fica claro logo na primeira faixa, Friday struttin' (7m35), de John Clayton, com solos ebulientes, pela ordem, de Jeff, Wycliffe e Terell, por sobre uma pulsação funky. O mesmo clima festivo e descontraído é a marca de This ain't nothin' but a party (7m25), título mais do que adequado para esta peça do saxofonista alto Jeff Clayton, que também assina a swinging faixa final, The happiest of times (5m15).
A sofisticação e a “modernidade” dos bem mais jovens Gerald Clayton, Stefon Harris e Obed Calvaire têm destaque especial na introspectiva Touch of the fog (5m50), de John Clayton; em Stefon fetchin' it (3m35), também do baixista-colíder; e em Simple pleasures (5m10), de Jeff Clayton. A arte e as artimanhas bluesy do convidado Wycliffe “Cone” Gordon - a maior figura do trombone no jazz contemporâneo – são realçadas em Coupe de Cone (7m), escrita por Jeff.
O crítico Brian Robbins assim concluiu sua resenha do álbum The gathering: "É como um bom prato de comida caseira jazzística, fácil de ser servido e apreciado. Não há desafios para o ouvinte. Os Clayton Brothers cuidam de tudo com perfeição. Just dig in.
De acordo.
