Jazz em mistura fina e ao vivo no Dizzy's
CD registra novo encontro do organista Joey DeFrancesco com o vibrafonista Bobby Hutcherson
O “blend” do Hammond B-3 com o vibrafone é sempre interessante, já que estes instrumentos plugados têm uma compatibilidade sônica e percussiva capaz de gerar um amplo espectro de especulações e sensações. Sobretudo quando o pequeno órgão que fez a glória de Jimmy Smith (1925-2005) está nas mãos (e nos pés) do seu sucessor de fato e de direito, o prodigioso Joey DeFrancesco, e as teclas de alumínio do vibes são marteladas pelo veterano Bobby Hutcherson.
DeFrancesco, 41 anos, e Hutcherson, 71, já tinham gravado, em 2005, o ótimo álbum Organic vibes (Concord), em quinteto com Ron Blake ou George Coleman (saxes), Jake Langley (guitarra) e Byron Landham (bateria). Em outubro de 2009, a dupla de virtuoses reencontrou-se no Dizzy's Coca-Cola Club (Jazz at Lincoln Center, Nova York), em quarteto completado por Peter Bernstein (guitarra) e Landham. Os sets do Dizzy's foram gravados, e uma seleção de oito números, intitulada Somewhere in the night, acaba de ser lançada em CD pelo selo Kind of Blue.
A faixa-título (8m30), de Billy May, é um dos três standards desenvolvidos pelo grupo. Os outros temas bem conhecidos são My foolish heart (8m35), de Victor Young, e S'Wonderful (6m20), de George Gershwin. O vibrafonista contribui com duas peças de sua lavra: Teddy (9m), em tempo acelerado, e Little B's poem (8m05) - esta escrita por Hutcherson há muito tempo, quando seu filho era bem pequeno, e também constante do álbum Organic vibes, acima mencionado. As faixas restantes são interpretações de composições assinadas por três herois do jazz: Take the Coltrane, de Duke Ellington (9m05); Wise one (11m20), de John Coltrane; Skj (8m20), de Milt Jackson.

Bobby Hutcherson ganhou notoriedade em 1964, por sua participação, como sideman, no LP Out to lunch (Blue Note), “manifesto” final do revolucionário saxofonista Eric Dolphy (1928-64), à frente de um quinteto que contava ainda com os eminentes Freddie Hubbard (trompete), Richard Davis (baixo) e Tony Williams (bateria). Mas neste último disco, o vibrafonista adere totalmente à atmosfera mainstream daquelas noites no clube novaiorquino, trocando solos e compassos calorosos com DeFrancesco e o lépido guitarrista Bernstein, todos apoiados pelo incansável baterista Landham. Sobretudo em Teddy, na interpretação à la Modern Jazz Quartet de Skj, e na recriação calorosa de Take the Coltrane.
Os fãs incondicionais do B-3 de Joey DeFrancesco devem saber que, além de Somewhere in the night, o organista vem de lançar Wonderful!Wonderful! - o seu 30º álbum como líder e o 10º para a etiqueta HighNote. Neste CD, seus companheiros de jornada, num típico organ trio, são o grande guitarrista Larry Coryell e o octogenário baterista Jimmy Cobb – este um dos coadjuvantes do célebre LP Kind of blue (Columbia, 1959), de Miles Davis.
