Jornal do Brasil

Quinta-feira, 11 de Abril de 2013

Jazz

Jazz em mistura fina e ao vivo no Dizzy's

CD registra novo encontro do organista Joey DeFrancesco com o vibrafonista Bobby Hutcherson

Jornal do BrasilLuiz Orlando Carneiro

O “blend” do Hammond B-3 com o vibrafone é sempre interessante, já que estes instrumentos plugados têm uma compatibilidade sônica e percussiva capaz de gerar um amplo espectro de especulações e sensações. Sobretudo quando o pequeno órgão que fez a glória de Jimmy Smith (1925-2005) está nas mãos (e nos pés) do seu sucessor de fato e de direito, o prodigioso Joey DeFrancesco, e as teclas de alumínio do vibes são marteladas pelo veterano Bobby Hutcherson.

DeFrancesco, 41 anos, e Hutcherson, 71, já tinham gravado, em 2005, o ótimo álbum Organic vibes (Concord), em quinteto com Ron Blake ou George Coleman (saxes), Jake Langley (guitarra) e Byron Landham (bateria). Em outubro de 2009, a dupla de virtuoses reencontrou-se no Dizzy's Coca-Cola Club (Jazz at Lincoln Center, Nova York), em quarteto completado por Peter Bernstein (guitarra) e Landham. Os sets do Dizzy's foram gravados, e uma seleção de oito números, intitulada Somewhere in the night, acaba de ser lançada em CD pelo selo Kind of Blue.

A faixa-título (8m30), de Billy May, é um dos três standards desenvolvidos pelo grupo. Os outros temas bem conhecidos são My foolish heart (8m35), de Victor Young, e S'Wonderful (6m20), de George Gershwin. O vibrafonista contribui com duas peças de sua lavra: Teddy (9m), em tempo acelerado, e Little B's poem (8m05) - esta escrita por Hutcherson há muito tempo, quando seu filho era bem pequeno, e também constante do álbum Organic vibes, acima mencionado. As faixas restantes são interpretações de composições assinadas por três herois do jazz: Take the Coltrane, de Duke Ellington (9m05); Wise one (11m20), de John Coltrane; Skj (8m20), de Milt Jackson. 

O prodigioso Joey DeFrancesco
O prodigioso Joey DeFrancesco

Bobby Hutcherson ganhou notoriedade em 1964, por sua participação, como sideman, no LP Out to lunch (Blue Note), “manifesto” final do revolucionário saxofonista Eric Dolphy (1928-64), à frente de um quinteto que contava ainda com os eminentes Freddie Hubbard (trompete), Richard Davis (baixo) e Tony Williams (bateria). Mas neste último disco, o vibrafonista adere totalmente à atmosfera mainstream daquelas noites no clube novaiorquino, trocando solos e compassos calorosos com DeFrancesco e o lépido guitarrista Bernstein, todos apoiados pelo incansável baterista Landham. Sobretudo em Teddy, na interpretação à la Modern Jazz Quartet de Skj, e na recriação calorosa de Take the Coltrane.

Os fãs incondicionais do B-3 de Joey DeFrancesco devem saber que, além de Somewhere in the night, o organista vem de lançar Wonderful!Wonderful! - o seu 30º álbum como líder e o 10º para a etiqueta HighNote. Neste CD, seus companheiros de jornada, num típico organ trio, são o grande guitarrista Larry Coryell e o octogenário baterista Jimmy Cobb – este um dos coadjuvantes do célebre LP Kind of blue (Columbia, 1959), de Miles Davis. 

Tags: CD, dizzy, jazz, luiz orlando, música

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