Jornal do Brasil

Quinta-feira, 31 de Julho de 2014

Jazz

Gravação inédita do Bill Evans Trio já está à venda 

Luiz Orlando Carneiro 

Impecável toucher, técnica precisa a serviço de uma interpretação sofisticada de standards, cujas harmonias eram dissecadas e transformadas em novas linhas melódicas, o grande pianista Bill Evans (1929-1980) ficou famoso como o criador do trio jazzístico realmente interativo, a partir daqueles sets gravados ao vivo no Village Vanguard, numa tarde e numa noite de domingo (25/6/1961), ao lado dos também lendários Scott LaFaro (baixo) e Paul Motian (bateria).

Este trio incomparável durou pouco, já que LaFaro, 25 anos, morreu, num desastre de automóvel, 10 dias depois dos históricos registros do Vanguard, que incluem takes de duas gemas do repertório jazzístico: Waltz for Debby (Evans) e Gloria’s step (LaFaro). 

CD duplo do trio do pianista, com Gomez e Morell, registra noite de 1968, no Village Gate 
CD duplo do trio do pianista, com Gomez e Morell, registra noite de 1968, no Village Gate 

O pianista custou a se recuperar da perda do parceiro, sete anos mais moço. E na verdade, só encontrou um substituto à altura de LaFaro em 1966, quando ouviu o porto-riquenho Eddie Gomez — que tinha então 21 anos, e tocava com o conjunto do saxofonista barítono Gerry Mulligan. Surgia então o novo trio de Bill Evans, inicialmente com o baterista Jack DeJohnette, que seria sucedido, dois anos depois, por Marty Morell.

A documentação fonográfica do combo Evans-Gomez-Morell tinha como destaques, até agora, dois LPs, devidamente reeditados em CD: Montreux II (CTI), de 1970, gravado ao vivo no Festival de Montreux, Suíça (notáveis versões de Israel, Very early e I hear a rhapsody); The Bill Evans album (Columbia), de 1971 (contém Funkallero e Waltz for Debby, com alternate takes, mas Evans usa também um dispensável piano elétrico). 

A discografia do pianista referente àquela época acaba de ser enriquecida com o lançamento do CD duplo Live at Art D’Lugoff’s Top of the Gate (Resonance), contendo 17 faixas inéditas (quase 90 minutos de música), gravadas, em outubro de 1968, em Nova York, no há muito extinto clube de D’Lugoff, situado no andar superior do prédio onde funcionava também o Village Gate (1958-1994), no encontro das ruas Thompson e Bleecker.

Os dois sets que formam o álbum duplo foram gravados com esmero — obtida a necessária permissão de Helen Keane, a empresária de Evans — por George Klabin, o hoje presidente do selo Resonance. Ele tinha então 22 anos, era um jovem engenheiro, produzia um programa de rádio intitulado New jazz, e guardou o tesouro agora revelado durante mais de 40 anos.

A qualidade da gravação é atestada por Jeff Krow, da Audiophile Audition, que considera “a acústica soberba, excedendo facilmente qualquer registro ao vivo daquela época”. Ele informa que Klabin usou microfones separados para cada instrumento e um sólido gravador de fita Crown de duas pistas, juntamente com outros quatro microfones.

Dos temas interpretados pelo trio, apenas um — Turn out the stars — é da pena do líder. Há outros dois originais jazzísticos: Round midnight (Thelonious Monk) e In a sentimental mood (Duke Ellington). Os demais tunes estão, há muito, incorporados ao chamado American songbook, e são o seguintes: EmilyWitchcraftYesterdaysMy funny ValentineCalifornia here I comeGone with the wind (a faixa mais longa, de quase 7 minutos), AlfieAutumn leavesSomeday my prince will comeMother of Earl e Here’s that rainy day. Há três temas que são tocados em ambos os sets: o de Monk, Emily e Yesterdays

Tags: bill evans, CD, jazz, pianista, trio, village

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