Jornal do Brasil

Sábado, 25 de Outubro de 2014

Jazz

Etapa carioca do BMW Jazz Festival começa nesta segunda-feira no Casa Grande 

Luiz Orlando Carneiro

Os jazzófilos cariocas têm compromissos inadiáveis nas noites de segunda e quarta-feiras próximas, no Teatro Oi Casa Grande, no Leblon. Lá estarão se apresentando – na continuação do BMW Jazz Festival, iniciado em São Paulo neste fim de semana – dois veteranos heróis daquele tipo de jazz que é contemporâneo por ser imune ao teste do tempo: o saxofonista tenor Charles Lloyd, 74 anos, e o pianista Chick Corea, 70. Ambos continuam tão criativos e irresistíveis como quando, ainda na década de 1960, cativaram o público e os críticos com dois álbuns antológicos: Forest flower (Atlantic), com o saxofonista à frente de um quarteto em que as new faces eram Keith Jarrett e Jack DeJohnette; Now he sings, now he sobs (Blue Note), com o pianista na proa de um trio ancorado pelo grande baterista Roy Haynes. 

Charles Lloyd esteve no Rio, em 1999, como uma das estrelas do Free Jazz Festival, na companhia do inesquecível baterista Billy Higgins, do guitarrista John Abercrombie e do baixista Marc Johnson. Naquele mesmo ano, ele consolidava o seu prestígio como o guru do saxofone zen — com eventuais referências às “folhas de som” de John Coltrane — ao gravar os CDs The water is wide e Hyperion with Higgins, em sessões que contaram com a participação do pianista Brad Mehdlau.

Chick Corea, Charles Lloyd e a Secret Society de Darcy James Argue são as principais indicações para os mais exigentes 
Chick Corea, Charles Lloyd e a Secret Society de Darcy James Argue são as principais indicações para os mais exigentes 

A preciosa discografia do saxofonista-compositor para a ECM — iniciada em 1989, com Fish out of water — chegou ao 15º item com o álbum duplo Athens Concert, registro world music de junho de 2010, ao vivo, na Acrópole de Atenas, ao lado da cantora grega Maria Farantouri, e à frente do seu quarteto com Jason Moran (piano), Eric Harland (bateria) e Reuben Rogers (baixo).

É com este mesmo grupo — também documentado nos CDs Mirror (2009) e Rabo de nube (2007) — que Charles Lloyd vai certamente hipnotizar a plateia carioca na quarta-feira, dia 13, ao encerrar a segunda etapa do BMW Jazz Festival, no Oi Casa Grande. E vale lembrar que Jason Moran, 37 anos (metade da idade de Lloyd), é a “última palavra” em matéria de jazz piano.

Na primeira noite do festival, nesta segunda-feira, Chick Corea é a grande atração, no comando do trio-base do histórico Return to Forever, com Stanley Clarke (baixo) e Lenny White (bateria). O repertório deve ser, em grande parte, o constante do CD duplo Forever, vencedor do último Grammy na categoria de melhor álbum de jazz instrumental: peças da pena do pianista (No mistery, Bud Powell, Señor Mouse), standards inesquecíveis (On Green Dolphin Streeet) e jazz originals (Waltz for Debby, de Bill Evans; Hackensack, de Thelonious Monk).

O outro set da abertura do BMW Jazz no Rio é também imperdível. O projeto Ninety Miles — que encurta, musicalmente, as 90 milhas que separam os Estados Unidos de Cuba — reúne três músicos notáveis na linha de frente: David Sánchez (sax tenor), Christian Scott (trompete) e Stefon Harris (vibrafone, marimba). Completam o time o excelente pianista venezuelano Edward Simon — há muito radicado nos Estados Unidos, e atual membro da San Francisco Jazz Collective — Luques Curtis (baixo), Henry Cole (bateria) e Eddy Mauricio Herrera (percussão).

No encerramento da etapa carioca do festival internacional, na quarta-feira, uma novidade: A orquestra Secret Society do compositor-arranjador canadense Darcy James Argue, que ficou famoso da noite para o dia com o lançamento, em 2009, do CD Infernal Machines (New Amsterdam). Argue reverencia a sofisticação harmônica de mestres Gil Evans e Bob Brookmeyer, mas dá um tratamento mais “sônico” à massa orquestral. Dentre os solistas da big band, destacam-se Ingrid Jensen (trompete), Luis Bonilla (trombone) e Erica von Kleist (sax alto).

Na terça-feira, a via mais pop do jazz, em sua vertente funky, vai ser muito bem defendida pelo veterano saxofonista Maceo Parker - que foi sideman de James Brown — e por Troy Trombone Shorty Andrews, 25 anos, nascido e criado em Nova Orleans, e muito antenado no “som das ruas”.

Tags: BMW, charles lloyd, chic corea, jazz, jazzófilos, leblon, secret society

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