Cuba: Mina de ouro de pianistas de jazz
Em 2010, o magnífico pianista Chucho Valdés — hoje com 70 anos — e o seu pai, o não menos incrível Bebo — ainda vivo, aos 93 — ganharam o Grammy destinado ao melhor álbum de Latin jazz com Juntos para siempre (Red Ink). No ano passado, Chucho recebeu o mesmo prêmio pelo CD Chucho’s steps (Four Quarters). Foi o quarto Gramofone de ouro do tecladista cubano, que não faz Latin music dançante tipo exportação, mas jazz do bom e do melhor, numa admirável combinação do bebop, da modalidade, da música ritual afro-cubana e até do free jazz .
Cuba sempre foi uma mina de ouro em matéria de pianistas. Além dos Valdés, conquistaram justa fama na cena jazzística, como solistas, Hilário Durán, Omar Soza e Gonzalo Rubalcaba — este um dos grandes virtuoses surgidos nas últimas três décadas, e também Grammy winner (Supernova, Blue Note, 2001).
Mais recentemente, foram muito bem recebidos pela crítica especializada os primeiros discos, como líderes, dos rising stars Aruán Ortiz (Orbit, Fresh Sound, em quarteto), Roberto Fonseca (Yo, Jazz Village, com músicos africanos) e Fabián Almazan (Personalities, Palmetto, em trio).

O new kid on the block, no melhor sentido da expressão, é Alfredo Rodriguez, 26 anos, nascido em Havana, filho de um cantor e apresentador de televisão, e que chegou aos Estados Unidos em 2009, via México. Formado num dos excelentes conservatórios ainda existentes na capital cubana, sua instrução foi totalmente clássica, até que, aos 15 anos, ouviu, extasiado, o célebre LP The Köln Concert (ECM), de Keith Jarrett.
“Foi quando comecei a explorar a ideia da improvisação”, ele conta. “Até então, era só Bach, Mozart e Beethoven, e sou grato a meus professores porque, sem isso, eu não seria o mesmo pianista. O Concerto de Colônia mudou a minha vida. Entendi então o que queria: apenas sentar e tocar”.
A técnica, o talento e a criatividade de Alfredo Rodriguez podem (e devem) ser apreciados no recém-lançado CD Sounds of space (Mack Avenue), que reúne 11 de suas composições, interpretadas basicamente em trio, com Michael Olivera (bateria, percussão) e Gaston Joya (baixo). Na faixa-título (4m40), o grupo vira quarteto, com a adesão de Ernesto Vega (clarinetes), que também toca sax soprano na canção Sueño de paseo (3m50), na polirrítmica e politonal Silence (5m) e nas também altamente percussivas ...y bailaría la Negra? (6m50) e Transculturation (4m15). A peça Crossing the border (6m45) é um impressionante “show” de técnica, em “voo solo”.
O outro solo sem acompanhamento do álbum, por outro lado, é a balada April (6m20). Das faixas em trio, Cu-bop (4m30), em memória de Bud Powell, e Qbafrica (5m15), dedicada a Quincy Jones, são também irresistíveis. Fog (4m50) é a peça mais formal da coleção, interpretada pelo trio juntamente com o Santa Cecilia Quartet (flauta, oboé, trompa e fagote).
Mestre Quincy Jones assim falou de Alfredo Rodriguez: “Ele é muito especial, e não sou de dizer isto facilmente, por que sempre me cerquei dos melhores músicos do mundo. E ele é um dos melhores”.
