Jornal do Brasil

Quinta-feira, 11 de Abril de 2013

Jazz

Wynton Marsalis: Aos 50 anos, uma antologia pessoal 

Jornal do BrasilLuiz Orlando Carneiro 

Em outubro do ano passado, Wynton Marsalis comemorou meio século de vida e mais de 20 anos de glória, celebrado não apenas como o maior trompetista de jazz vivo — sucessor da linhagem Louis Armstrong-Dizzy Gillespie-Clifford Brown — mas também como eminente compositor. Quando tinha 29 anos, ganhou a capa da Time como a maior expressão dos young lions da The new jazz age — título da principal matéria da revista.

Em 1997, recebeu o Prêmio Pulitzer de música por sua ópera Blood on the fields. Há pouco mais de um ano foi formalmente reconhecido como jazz master pelo National Endowement for the Arts (NEA), juntamente com os outros notáveis jazzmen da família Marsalis: o pai Ellis, pianista e professor; os irmãos Branford (saxofonista), Delfeayo (trombonista) e Jason (baterista).

Some-se a tudo isso o seu apostolado à frente do Jazz at Lincoln Center, a mais importante instituição de divulgação desse modo de expressão musical que é “o passado e o futuro conjugados no presente”, como disse ele uma vez.

O celebrado trompetista-compositor lança o CD duplo ‘The Music of America’ 
O celebrado trompetista-compositor lança o CD duplo ‘The Music of America’ 

Por tudo isso, quem se dispõe a empreender — ou a refazer com mais atenção — uma fascinante viagem pelo continente musical criado pelo compositor-instrumentista Wynton Marsalis não pode deixar de adquirir e ouvir o CD duplo The music of America, lançado pela Sony Masterworks neste início de ano.

O curador desta seleção de 24 faixas foi o próprio Marsalis. E ele buscou dar mais realce à sua obra composicional que — a partir de Blood on the fields — passou a ser respeitada pela “academia” com a mesma reverência devida às peças dos “eruditos” Aaron Copland e Charles Ives, e do mais swingin Edward Duke Ellington. Contudo, evidentemente, Wynton não deixou em plano secundário, nessa antologia pessoal, a sua condição de intérprete tecnicamente imbatível, genial improvisador, propelido pelos seus combos ou pela Lincoln Center Jazz Orchestra.

O volume 1 de The music of America começa com quatro faixas irresistíveis, das quais três de temática referente aos trens da Amtrak — caminho de fuga e de ascensão social do negro americano na primeira metade do século passado: Station call (2m05) e The caboose (7m05), da suíte Big train (1998); Express crossing (5m10), do balé Jazz: 6 ½ syncopated movements (1997). A quarta, bem bluesy, é “D” in the key of “F” (5m15).

Ainda no primeiro volume do álbum duplo, há três (mais de 17 minutos) das 13 partes da também magnífica Marciac Suite (1999) — um presente do compositor-trompetista à pequena cidade do sul da França, onde se realiza anualmente o já famoso festival de jazz por ele apadrinhado.

No segundo volume da sua antologia pessoal, Marsalis dá especial destaque à premiada Blood on the fields e a duas primorosas suítes compostas a partir das fundações mais bluesy e churchy do jazz: The majesty of the blues (1988) e In this house/On this morning (1992-93).

Da ópera (ou oratório) em que o libreto dramatiza a escravidão, foram selecionadas duas árias: Move over (10m), com vocal de Cassandra Wilson, mais Wes Anderson (sax alto) e Victor Goines (clarinete); Soul for sale (6m05), vocal de Jon Hendricks. 

Da primeira suíte — interpretada pelo primeiro sexteto do trompetista, com Marcus Roberts (piano), Wes Anderson (sax alto) e Todd Williams (sax tenor) — foram escolhidas três faixas: The majesty of the blues (15m), The death of jazz (12m37) e Happy feet blues (6m35). De In this house... — septeto com os mesmos saxofonistas, Eric Redd (piano) e Wycliffe Gordon (trombone) — as faixas são duas: Altar call (1m30) e In the sweet embrace of life/ Holly Ghost (6m55). 

Tags: cd duplo, jazz, marsalis, prêmio pulitzer, time, trompetista

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