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Vanguard Jazz Orchestra, sempre ao vivo, há 45 anos

Jornal do Brasil Luiz Orlando Carneiro

As duas melhores big bands de jazz em atividade permanente podem ser ouvidas em Nova York, sempre às segundas-feiras — a não ser quando estão em tournée. São elas a Vanguard Jazz Orchestra (VJO), sediada no célebre Village Vanguard, e a Mingus Big Band, de plantão no Jazz Standard. Elas são as melhores por que integradas por instrumentistas e arranjadores do primeiro time, que aproveitam o day off para fazer, naqueles clubes de referência internacional, a música que amam, por puro prazer, para gáudio dos amantes do verdadeiro jazz.

A primeira dessas orquestras foi criada em 1966 pelo trompetista-compositor-arranjador Thad Jones (irmão dos também famosos Elvin, baterista, e Hank, pianista) e pelo baterista Mel Lewis. Na chamada primeira encarnação, a big band do Village durou até 1972, quando Jones trocou Nova York por Copenhague.

Mas Lewis manteve a instituição, com o seu nome, nos mesmos moldes, até a sua morte, em 1990. Daí em diante, a VJO continuou a recriar as peças de Thad Jones e a colecionar composições e arranjos da pena dos membros da “cooperativa”. Em 2005 e 2008, a orquestra ganhou o cobiçado Grammy, na categoria best large jazz ensembles, com os álbuns The way/ Music of Slide Hampton e Monday live at the Village Vanguard, respectivamente.

‘Forever lasting’ é o novo CD duplo da ‘big band’ do mais famoso clube de jazz do mundo

Sob a direção do trombonista John Mosca e do saxofonista Dick Oatts, e tendo o pianista Jim McNeely como “compositor-residente”, a VJO está comemorando 45 anos com o lançamento do CD duplo Forever lasting/ Live in Tokyo (Planet Arts), com 13 peças gravadas ao vivo, no Billboard Club da capital japonesa, em duas noites de novembro do ano passado.

A formação da VJO era então a seguinte: Nick Marchione, Tanya Darby, Terell Stafford e Scott Wendholt (trompetes); John Mosca, Luis Bonilla, Jason Jackson e Douglas Purviance (trombones); Dick Oatts, Billy Drewes, Walt Weiskopf, Ralph Lalama e Gary Smulyan (saxes, clarinetes, flautas); Michael Weiss (piano), John Riley (bateria) e David Wong (baixo). Os titulares Rich Perry (sax tenor) e Jim McNeely (piano), por motivos de força maior, não puderam viajar, e foram substituídos por Weiskopf e Weiss, solistas do mesmo quilate.

A faixa-título, Forever lasting (7m), é composta e arranjada por Thad Jones, assim como outras cinco faixas: Low down (5m25), 61st and rich’it (14m40), Central Park North (12m05), Don't ever leave me (6m) e Fingers (18m40).

A VJO revive também dois arranjos do book de Jones: I love you (6m05), de Cole Porter, e All of me (8m55), de Seymour Simons. É claro que se trata de interpretações “revistas e aumentadas”, com solistas bem diferentes. Forever lasting, por exemplo, não chegava aos 6m no álbum New Life (A&M/Horizon), de 1976. Central Park North (9m na gravação original do LP da Solid State, de 1969) tem nesta nova versão solos irresistíveis de Scott Wendholt, no flugelhorn, e de Billy Drewes, no sax soprano. Aliás, o notável trompetista abre o disco 1 do novo CD como solista principal em Low down.

Mas a VJO prova que está mais viva e instigante do que nunca nas três composições-arranjos do eminente Jim McNeely: “You tell me” (8m), solos em “chase” dos tenoristas Weiskopf e Lalama; “Extra credit” (12m20), solos de Weiskopf, Bonilla e Weiss; “Hardly ever” (7m45), solos de Wendholt (trompete) e Dick Oatts (flauta). O veterano e cult Bob Brookmeyer contribui com Nasty dance (11m40), de complexas nuvens sônicas, e Bob Mintzer com um arranjo bem swinging de One finger snap, de Herbie Hancock.  



Tags: jazz, mingus, nova york, thad jones, vanguard

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