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Wynton Marsalis celebra meio século de vida e mais de 20 anos de glória

Jornal do Brasil Luiz Orlando Carneiro

Em outubro de 1990, quando tinha 29 anos, Wynton Marsalis foi a matéria de capa da revista Time, e o quinto e último músico de jazz a merecer esse tipo de reconhecimento que correspondia, na época, a uma consagração nacional. Seus antecessores foram Louis Armstrong (só em 1949), Dave Brubeck (1954), Duke Ellington (só em 1956) e Thelonious Monk (1964).

A reportagem da Time intitulava-se The new jazz age, e o filho do professor Ellis (um eminente pianista bop de Nova Orleans) era destacado não apenas por seu “sucesso pessoal” como trompetista mas, sobretudo, pelo fato de que, “em grande parte sob sua influência, um renascimento do jazz está florescendo no que já foi um solo estéril”.

A cover story da Time citava, entre as novas estrelas em ascensão, o irmão um ano mais velho de Wynton, o saxofonista Branford, e os ainda mais jovens Marcus Roberts (26), Terence Blanchard (28), Roy Hargrove (21), Geoff Keezer (19), Vincent Herring (25) e Joey De Francesco (19).

Todos esses ex-young lions são hoje nomes da Primeira Liga do jazz, no auge de suas carreiras. Mas nenhum deles igualou-se a Wynton Marsalis, que completa 50 anos na próxima terça-feira, consagrado como o grande sucessor da linhagem Armstrong—Gillespie—Clifford Brown. E também como notável compositor, detentor do Prêmio Pulitzer de música de 1997 pela ópera jazzística Blood in the fields, comissionada pelo Lincoln Center for the Performing Arts; senhor de uma discografia que inclui obras-primas como as suítes In this house on this morning (1992—93) e Big Train (1999); cabeça, coração e alma do Jazz at Lincoln Center, a mais importante instituição de promoção e divulgação desse modo de expressão musical que é “o passado e futuro conjugados no presente”, como ele disse uma vez.

No seu livro Moving to higher ground-How jazz can change your life (Random House, 2008), Wynton anota: “Aos 12 anos, comecei a ouvir John Coltrane, Clifford Brown, Miles Davis e Freddie Hubbard. Apenas prestando muita atenção a esses músicos, diariamente, acabei por compreender que cada músico abre um compartimento no centro de seu ser, e expressa esse centro na singularidade de seu som. O som de um músico-mestre é tão personalizado e distinto como o som da voz de uma pessoa”.

E, mais adiante: “O jazz possibilita que um indivíduo molde uma linguagem a partir do que sente, e use essa linguagem pessoal para se comunicar com pessoas diversas, e por elas ser entendido. As gravações congelam o som desses músicos, proporcionando-nos o prazer de entrar no mundo deles sempre que desejamos. O mundo segundo Lester Young. É onde quero estar. E lá estar sempre que quiser”.

Wynton Marsalis é um desses mestres. E mestre formalmente reconhecido pelo National Endowement for the Arts (NEA), em janeiro último, juntamente com os demais jazzmen da família: o pai pianista, os irmãos Branford, Delfeayo (trombonista) e Jason (baterista).

O trompetista lança CD-DVD com Eric Clapton e “box” de 10 álbuns gravados entre 1999 e 2002

O trompetista-compositor está comemorando o cinquentenário lançando, para o público em geral, o CD/DVD Marsalis and Clapton play the blues, registro de um show ao lado do o guitarrista-vocalista mais pop Eric Clapton realizado em abril, no Rose Theater do Lincoln Center. E, para os colecionadores, uma edição limitada (US$ 79,99) de uma caixa de 11 CDs, Swingin’ into the 21st, contendo 10 álbuns escolhidos pelo próprio Wynton, gravados entre 1999 e 2002, com destaque para Plays Monk (Standard Time, Vol.4), Big Train, Mr. Jelly Lord (Standard Time, Vol.6), The Marciac Suite e All rise (com orquestra sinfônica e a LCJO, álbum duplo).



Tags: blues, cd, eric clapton, rose theater, wynton marsalis

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