Jornal do Brasil

Domingo, 27 de Maio de 2018 Fundado em 1891
Jazz

Colunistas - Jazz

Benny Green recria peças de seus músicos favoritos

Jornal do Brasil Luiz Orlando Carneiro 

O título do mais recente CD do emérito pianista Benny Green, 48 anos, é Source (Jazz Legacy Productions). Trata-se de uma seleção de 10 faixas, interpretadas na douta companhia dos irmãos Washington (Kenny, bateria; Peter, baixo), e do primeiro disco em trio do líder, desde 2000, quando gravou Naturally (Telarc), com Russell Malone (guitarra) e Christian McBride (baixo).

Para quem não sabe ou não se lembra, Green estudou com Walter Bishop e Walter Davis Jr; foi “descoberto” pela vocalista Betty Carter; estagiou nos Jazz Messengers de Art Blakey (1987-89); foi sideman de Freddie Hubbard e do grande baixista Ray Brown. 

‘Source’ é o primeiro CD do pianista em trio desde 2000  

Em 1993, quando Oscar Peterson recebeu o cobiçado Glenn Gould Prize, da cidade de Toronto, indicou o pianista então em ascensão para o Glenn Gould Protégé Prize (os laureados com esse importante prêmio de US$ 50 mil — Boulez, Yo-Yo-Ma e Yehudi Menuhin, entre outras sumidades — são convidados a escolher um “protegido”, que recebe um cheque de US$ 15 mil).

Nas notas escritas para o novo álbum, Benny Green explica que o seu objetivo foi fazer, apenas, “um disco de jazz verdadeiro e honesto”. E acrescenta: “Nós amamos essa música. Ela é a nossa vida e, além de ser uma tremenda alegria e uma fuga rejuvenescedora do mundano, é também uma responsabilidade para com nossos pais, mentores e, certamente, para com ouvintes de hoje e do futuro que também a amam ou que, de algum modo, gostariam de experimentar, pela primeira vez, o que é o jazz”.

Quanto à seleção da temática, o pianista diz que, “embora não fosse um objetivo consciente”, todas as peças do CD — com exceção de Born to be blue (6m34), escrita pelo vocalista Mel Tormé — são de autoria de alguns de seus “instrumentistas favoritos”, responsáveis por “gravações que são uma inesgotável fonte (source) de inspiração, informação, admiração e pura alegria”. 

Esses tunes são os seguintes, com os respectivos compositores: Blue minor (5m10), Sonny Clark; Way cross town (4m10), Carl Perkins; I waited for you (6m50), Dizzy Gillespie; Little T (4m48), Donald Byrd; Cool green (6m05), Kenny Drew; Tempus fugit (3m32), Bud Powell; Park Avenue petite (6m30), Benny Golson; Chant (5m30), Duke Pearson; Opus de funk (4m25), Horace Silver.

Como se pode ver, seis destes instrumentistas-compositores foram pianistas que deixaram marcantes registros nos anais da história do bebop: o founding father Powell, Horace Hardbop Silver (ainda vivo, 82 anos), Clark, Perkins, Drew e Pearson. E, conscientemente ou não, Benny Green deu tratamento respeitoso a essas fontes, evitando exibições de virtuosismo, mas realçando ao máximo a sua perfeita articulação e o seu preciso toucher num sempre inspirado e incisivo fraseado melódico, não só nos temas bluesy (Clark, Drew, Silver), mas também nas baladas, como a esquecida I waited for you. No entanto, o pianista não deixa de mostrar o seu incrível domínio do teclado nas recriações em tempo vertiginoso — sem perder o fio da meada — de Tempus fugit e Opus de funk.



Tags: benny green, jazz, source

Compartilhe: