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Pat Martino, um herói do jazz nem sempre lembrado como merece

Jornal do Brasil Luiz Orlando Carneiro

No mês passado, depois de ouvir o quarteto de Pat Martino no Jazz Standard, Nova York, não pude deixar de refletir sobre a ausência, nas listas periódicas dos melhores da cena jazzística, do nome do grande guitarrista — respeitado pelos seus colegas, entre outros atributos, como inventor da técnica de conversion to minor (tratamento de qualquer acorde como um acorde menor).

Herdeiro do som robusto de Wes Montgomery (1925-68) e de sua habilidade em improvisar, com notável articulação, linhas melódicas longas e irresistíveis, em qualquer tempo, Martino é em geral esquecido quando se cantam merecidas loas a outros expoentes das seis cordas, como Bill Frisell, John Scofield, Russell Malone, Pat Metheny, Kurt Rosenwinkel e o vovô Jim Hall.

Nascido há 66 anos, na Filadelfia, Pat Azzara (depois Martino) pegou o gosto pela guitarra desde menino, motivado por seu pai, que tocava o instrumento, e chegara a ter aulas com o lendário Eddie Lang (1902-1933), cujo verdadeiro nome era Salvatore Massaro. Aos 15 anos, Pat já era músico profissional, atuando em bandas de rhythm & blues. Logo depois dos teen, em Nova York, passou a integrar os organ trios de Don Patterson, Jack McDuff, Charles Earland e outras estrelas do soul jazz dos anos 50-60.

O guitarrista lança autobiografia em outubro

Em 1980, já respeitado no planeta jazz, sofreu uma série de aneurismas que provocaram nele, depois de cirurgias no cérebro, total amnésia. De início, não se lembrava de sua condição de músico nem de que era um virtuose da guitarra. Um longo tratamento que consumiu anos de terapia, reabilitação e um processo de reaprendizagem da técnica da guitarra, com a audição dos discos que gravara na década de 70, devolveu-o à vida plena. Pat gravou então, em 1987, o álbum The return (Muse), em trio, mas voltou a se afastar dos palcos e estúdios em 1989, quando sua mãe morreu, e ele teve uma inesperada recaída. Só na década de 90 é que recuperou seu prestígio, numa série de seis discos.

Nos últimos 10 anos, além de suas frequentes apresentações em clubes e festivais, nos Estados Unidos e na Europa, Pat Martino reforçou a sua discografia com três Cds definitivos editados pelo selo Blue Note: Live at Yoshi’s, gravado ao vivo no clube de Oakland, California, em 2000, com Joey De Francesco (órgão Hammond) e Billy Hart (bateria); Think tank, de 2003, à frente de um quinteto cinco estrelas (Joe Lovano, sax; Gonzalo Rubalcaba, piano; Christian McBride, baixo; Lewis Nash, bateria); e Remember/ A tribute to Wes Montgomery, de 2005 (David Kikoski, piano; John Patitucci, baixo; Scott Allan Robinson, bateria).

Em outubro, estará à venda nas lojas da internet a autobiografia de Pat Martino, Here and now (Backbeat Books), escrita em colaboração com o jazz writer Bill Milkowski, autor também de JACO: The extraordinary life and times of Jaco Pastorius (Miller Freeman Books, 1995). O guitarrista sentiu “que já era tempo de documentar” sua vida e seus propósitos não só como músico mas também como professor e pessoa.



Tags: jazz, nova york, pat martino

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