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Jason Moran: Consagração definitiva

Jornal do Brasil Luiz Orlando Carneiro

Aos 36 anos, Jason Moran consagra-se, em definitivo, como o mais bem dotado e criativo pianista da geração nascida na década de 70. Na votação anual dos críticos promovida pela Down Beat, referente ao período junho 2010—junho 2011, ele conquistou uma invejável tríplice coroa: Artista do Ano, melhor pianista e “autor” do “álbum de jazz do ano” — o CD Ten (Blue Note), com o qual celebrou o 10º aniversário de seu trio Bandwagon (Nasheet Waits, bateria; Tarus Mateen, baixo).

Os resultados completos do 59º DB Critics Poll estão publicados na edição de agosto da revista especializada.

Esta coluna recomendou “vivamente” a audição de Ten, em 11/7 do ano passado, logo depois do lançamento do disco. E assim o descreveu:

Pianista ganha tríplice coroa na eleição anual da ‘Downbeat

“São ao todo 13 faixas, quatro das quais interpretações de peças de compositores nada ortodoxos que marcaram a formação de Moran: Crepuscule with Nellie, de Thelonious Monk; To Bob Vatel of Paris, do seu falecido professor Jacki Byard; e duas versões bem originais do Study nº 6 do singular e pouco conhecido Conlow Nancarrow (1912—97). O pianista-líder não esqueceu um outro mestre — o hermético Andrew Hill, com o qual compôs Play to live. Nas suas próprias composições, Moran promove, com seus comparsas, uma aventura musical que vai dos blues e do stride do Harlem aos clusters de Cecil Taylor, passando pela assimetria monkiana, com ecos da batida do hip-hop, e até com efeitos sônicos pré-gravados”.

Além de liderar o Bandwagon, Jason Moran injetou sangue novo no quarteto do saxofonista sans pareil Charles Lloyd, conforme atestam os excelentes álbuns Rabo de nube (2008) e Mirror (2010), ambos da etiqueta ECM.

Na eleição da qual participaram mais de 80 críticos, outro tecladista da mesma geração de Moran foi o mais votado também em três divisões. Craig Taborn sobressaiu-se entre os especialistas do teclado elétrico (Fender e similares), e foi o vencedor, na condição de rising star (estrela em ascensão), entre os pianistas e os organistas. O sucesso do recente álbum solo Avenging (ECM) contribuiu para a “performance” do ex-sideman do saxofonista James Carter.

Dentre os rising stars vitoriosos no pleito anual da DB destacam-se ainda Ambrose Akinmusire (trompete e Artista do Ano), Jon Irabagon (sax alto) e J.D. Allen (sax tenor). Os dois primeiros apareceram no horizonte quando conquistaram a Thelonious Monk International Jazz Competition, em 2008 e 2009, respectivamente. J.D. Allen está em evidência em função do seu álbum Victory! (Sunnyside), lançado em maio, e comentado nesta coluna, no sábado passado.

O selo Sunnyside, aliás, derrotou desta feita os favoritos ECM e Blue Note no páreo das melhores record labels. No ano-base do referendo, a etiqueta editou discos especialmente aplaudidos pela crítica além de Victory!, como Quest for freedom (Dave Liebman-Richie Beirach com a Frankfurt Radio Big Band e arranjos de Jim McNeely) e Precipice (Concerto de piano solo de Denny Zeitlin).

Nas demais categorias instrumentais do 59º poll dos críticos da DB não houve maiores surpresas: Sonny Rollins (sax tenor), Dave Douglas (trompete), Steve Turre (trombone), Anat Cohen (clarinete), Rudresh Mahanthappa (sax alto), Gary Smulyan (sax barítono), Paul Motian (bateria), Dave Holland (baixo acústico), Christian McBride (baixo elétrico), Regina Carter (violino), Bill Frisell (guitarra). Maria Schneider continuou a ocupar o primeiro lugar nos pódios dos compositores, dos arranjadores e dos líderes de big bands. A vocalista e ativista dos direitos civis Abbey Lincoln, que morreu aos 80 anos, no ano passado, foi introduzida no Hall of fame, na eleição direta. O lendário baixista Paul Chambers (1935-69) venceu, para a mesma honraria, a eleição reservada do “Comitê dos (Críticos) Veteranos”. E já era tempo!



Tags: artista do ano, jazon moran, pianista

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