Jornal do Brasil

Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2018 Fundado em 1891

Jazz

Críticos do mundo todo elegem os melhores do jazz

Luiz Orlando Carneiro

Três gigantes do saxofone – Sonny Rollins, Jimmy Heath e Joe Lovano – e o jovem trompetista Ambrose Akinmusire foram os principais vencedores dos prêmios anuais da Jazz Journalists Association (JJA), anunciados nos dias 11 e 12 últimos, no City Winery, Nova York.

Os eleitores da associação, que tem mais de 450 membros no mundo todo, levaram em conta o ano-base de abril de 2010 ao mesmo mês deste ano. Rollins – que celebrou os 80 anos com um concerto cantado em prosa e verso, em setembro último, no Beacon Theatre – ganhou os prêmios de músico do ano e de melhor sax tenor (ainda) em atividade.

Trompetista Ambrose Akinmusire, um dos principais vencedores dos prêmios anuais da Jazz Journalists Association (JJA)
Trompetista Ambrose Akinmusire, um dos principais vencedores dos prêmios anuais da Jazz Journalists Association (JJA)

Heath, 84 anos, recebeu o Lifetime achievement in jazz (conjunto da obra) e o prêmio destinado ao melhor livro sobre jazz – sua autobiografia I walked with giants (Temple University Press). Lovano, 58, foi o mais votado nas categorias álbum do ano (Bird songs, Blue Note) e pequeno conjunto (o seu quinteto Us Five, com dois bateristas, que gravou o CD laureado). Akinmusire, 29, foi considerado pela maioria dos eleitores da JJA o “artista em ascensão” e também o melhor trompetista do ano-base.

Para quem não sabe ou já se esqueceu, esse jovem californiano conquistou, em 2007, a prestigiosa Thelonious Monk Competition, naquele ano dedicada a trompetistas, perante um júri formado por Herb Alpert, Terence Blanchard, Quincy Jones, Clark Terry e Roy Hargrove. Sua cotação na cena jazzística subiu ainda mais, no ano passado, com o lançamento de seu primeiro CD, como líder, para o selo Blue Note – When the heart emerges glistening, em quinteto com Walter Smith III (sax), Gerald Clayton ou Jason Moran (piano), Justin Brown (bateria) e Harish Raghavan (baixo). Um ano antes, tinha aparecido com sucesso no trio de Linda Oh, ao lado do baterista Obed Calvaire, na estreia da contrabaixista como líder (Entry, gravado em novembro de 2008).

Nas demais categorias, os resultados do pleito promovido pela JJA não foram surpreendentes. Mas vale destacar que as mulheres estão cada vez mais “senhoras de si” nos instrumentos de sopro. Anat Cohen (clarinete), Jane Ira Bloom (sax soprano) e Nicole Mitchell (flauta) foram as preferidas dos críticos nas suas especialidades.

 Os outros melhores do ano nos sopros foram Wycliffe Gordon (trombone), Rudresh Mahanthappa (sax alto) e James Carter (sax barítono). Fred Hersch (piano), Russell Malone (guitarra), Christian McBride (baixo), Matt Wilson (bateria) e Stefon Harris (vibrafone, marimba) mereceram os obeliscos da JJA assim como os mereceriam outros dos nominees para as respectivas divisões, entre eles Jason Moran, Bill Frisell, Charle Haden, Paul Motian e Gary Burton.

A Mingus Big Band foi eleita a large ensemble of the year, confirmando a sua justa vitória no Grammy, por conta do sensacional álbum Live at Jazz Standard, gravado no clube da Rua 27 (entre a Park e a 3ª Avenida), na passagem de ano 2008-2009.

Tags: journalists association, luiz orlando carneiro, melhores do jazz

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