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Luiz Orlando Carneiro: Chick Corea: 70 anos de vida; cinco décadas de brilho

Jornal do Brasil Luiz Orlando Carneiro

Armando Anthony Chick Corea completa, neste domingo, 70 anos de idade, mais de quatro décadas depois de ter iniciado uma carreira de virtuose do piano tão fulgurante como as trajetórias de seus contemporâneos Herbie Hancock e Keith Jarrett. Em 1968, ele gravou – nas teclas de marfim – o hoje clássico Now he sings, now he sobs (Blue Note), no contexto de um refinado trio (Roy Haynes, bateria; Miroslav Vitous, baixo). Logo em seguida, foi elevado à condição de estrela – no teclado plugado – como sideman do Miles Davis fusionista nos discos In a silent way, Bitches brew e At Fillmore, juntamente com Hancock. Ambos – que tiveram sólida formação clássica – têm conseguido, desde então, agradar gregos e troianos, ora navegando pela mainstream do jazz, ora derivando para a orla do chamado rock jazz.  

Até o fim de julho, Corea estará em turnê pelo Canadá e pela Europa, à frente da quarta versão do célebre grupo fusionista Return to Forever, que inclui Stanley Clarke (baixo), Lenny White (bateria), Jean-Luc Ponty (violino) e Frank Gambale (guitarra). 

Mas para gáudio dos admiradores da obra eminentemente jazzística do grande pianista, a Concord preparou um valioso presente, também indicado para os newcomers: The definitive Chick Corea on Stretch and Concord, um álbum duplo de 21 faixas, que podem ser adquiridas no todo ou em parte (mp3). Esses registros vão do início da década de 80 (Tap step, LP na onda da Latin fusion) até o tour internacional de 2009 (versão inédita de La Fiesta, com o novo Return to Forever). 

O volume 1 da coleção contém, no entanto, 10 faixas que podem ser saboreadas como o crème de la créme das gravações acústicas feitas, inicialmente, para o selo Stretch, fundado pelo pianista. São elas: Quartet nº 1 (10m), de Three quartets, 1992 (Michael Brecker, Eddie Gomez, Steve Gadd); Folk song (9m), de Live in Montreux, 1997 (Joe Henderson, Roy Haynes, Gary Peacock); Duende (3m10), de Touchstone, 1996 (quinteto com Lee Konitz); Windows (6m15), de Like minds, 1998 (Gary Burton, Pat Metheny, Roy Haynes, Dave Holland); Armando’s rhumba (3m45), de Native sense, 1997 (duo com o vibrafonista Burton); Bud Powell (6m20), de Remembering Bud Powell, 1997 (Kenny Garrett, Wallace Roney, Christian McBride, Roy Haynes); Dreamless (10m55), 1997 (com o sexteto Origin, ao vivo); Wigwam (6m55), 1998 (com o Origin, em estúdio); Spain (4m) e It could happen to you (4m30), dos álbuns Solo piano, 1999 (ao vivo, em turnê europeia); Fingerprints (5m14), de New trio, 2000 (Avishai Cohen e Jeff Ballard). O volume 2 de The definitive reúne também algumas joias da discografia de Corea, das quais destaco: Blue Monk (5:35), com o vocalista ímpar Bobby McFerrin, do CD Rendez-vous in NY, comemorativo do 60º aniversário do pianista; The fool on the hill (6m50), gravada ao vivo em Tóquio, 2007, em dueto com a new star Hiromi; Señorita (5m15), do mesmo ano, em duo com o banjoista Béla Fleck; Crystal silence (14m10), faixa-título do álbum vencedor do Grammy 2009, em performance com a Sydney Symphony.



Tags: chick corea, jazz, luiz orlando carneiro

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