Jornal do Brasil

Quarta-feira, 23 de Abril de 2014

Jandira Feghali

Metas progressistas

Jandira Feghali*

São reiniciados os trabalhos legislativos no ano de 2014. Ano de eleições gerais, de grandes embates políticos e de construção de uma disputa que definirá para onde caminharemos no Brasil. A esquerda política tem grande responsabilidade no processo, pois é partícipe do governo Lula e Dilma desde o início e sensível às demandas do povo. Precisamos estabelecer o aprofundamento programático e o apontamento de uma plataforma estruturante para a economia sustentável, assim como a incorporação do trabalho, uma reforma urbana que humanize as cidades, o avanço das reformas democráticas e fortalecimento de políticas universais e de equidade.

O parlamento, de perfil heterogêneo e com a esquerda em minoria, precisa responder à sociedade construindo grandes acordos que resultem na aprovação de projetos e medidas marcadamente populares e democratizantes. Evoluímos em 2013 em algumas matérias, a exemplo da destinação dos royalties do Pré-Sal para educação e saúde, mas não podemos passar por 2014 sem votar leis que democratizem a comunicação, como o Marco Civil da Internet, evoluir na reforma política que retire o financiamento de empresas nas campanhas, enfrentar medidas estruturantes na reforma urbana – como legado dos eventos esportivos –, aumentar o orçamento de investimentos em inovação, infraestrutura e logística do Brasil, a produtividade e renda para os trabalhadores e ampliar recursos para sade e cultura com toda sua diversidade.

Todas essas questões se darão numa conjuntura polarizada pela disputa eleitoral e grandes debates sobre os 50 anos do Golpe Militar, onde reafirmaremos nossa convicções de liberdade e direitos humanos. A sociedade não aceita retrocessos, provocações e violência. Não aceita falsos argumentos que justifiquem caminhar para trás.

Retomar a consciência e ação coletiva na política são desafios colocados a nós, militantes partidários vinculados às lutas e movimentos sociais, minimizando o descrédito e fincando ideias e ações que nos permitam acreditar no Brasil e no protagonismo de cada um de nós.

O capitalismo rentista nos pressiona para que nos agachemos diante de suas exigências e já encontrou quem vocalize suas propostas nessas eleições. O discurso oposicionista, sem novas propostas, tenta dar nova roupagem às velhas ideias. Mas o povo não é bobo. Bobo é quem o subestima!

O aniversário de 50 anos da instalação do Regime reforça determinadas bandeiras, principalmente no que se refere à garantia de nossos direitos enquanto cidadãos no combate à violação das liberdades. É também um ano em que os eleitores decidirão sobre seus representantes, com a chance única de interferir na eleição de deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente da República. É hora de rever conceitos e práticas e rumar em direção ao campo progressista, lutando contra as forças que se mostram cada vez mais ameaçadoras ao direito de expressão e dos direitos humanos.

O ataque do campo político reacionário pode ser visto nas tentativas de esconder o mérito e o sucesso de políticas sociais iniciadas na gestão Lula e Dilma, a exemplo do Bolsa-Família e Pronatec. Por conta das angústias do modelo capitalista falido, nosso olhar também é a favor de uma economia forte e estável, mantido junto aos anseios do povo e na melhora da condição de vida de seus trabalhadores. Atualmente, o mundo atravessa período conturbado no consumo interno dos países soberanos e seu ônus tem sido empurrado para países em vias de desenvolvimento. No caso do Brasil, esse peso tem recaído, especialmente, sobre os ombros dos trabalhadores. Estes, tem tido do Governo Federal o amparo necessário, via políticas públicas e programas sociais para minimizar os efeitos deste cenário.

A reforma política é uma bandeira que precisa ser mantida em 2014. O nosso sistema eleitoral necessita de mudanças profundas para equiparar homens e mulheres nos pleitos, eliminando a influência do poder econômico no financiamento das campanhas e acatando o financiamento público eleitoral. A participação da sociedade neste processo é fundamental, pressionando o Parlamento e exigindo sua aprovação.

Não nos esqueçamos que 2014 também é ano de Copa do Mundo. No país do futebol, do esporte que desconhece as fronteiras de classe num espírito de confraternização e jogo limpo, sua realização é uma conquista. Uma oportunidade de, com orgulho, mostrar o Brasil para o mundo e, ao mesmo tempo, gerar empregos, renda, capacitação profissional, além da transformação urbana por meio de sua mobilidade e infraestrutura. Quando 46% da população mundial voltar os olhos para o Brasil será nossa diversa e rica cultura a chegar aos mais longínquos recantos do planeta.

Vencer essas etapas com capacidade e convicção é dar sentido à luta que se faz, sem esquecer de que um projeto para o Brasil começa junto ao povo e para o povo.

*Jandira Feghali é médica, deputada federal pelo PCdoB-RJ e líder da bancada na Câmara dos Deputados. 

Tags: classe, confraternização, de, espírito, fronteiras, num

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