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Segunda-feira, 20 de Agosto de 2018 Fundado em 1891

Internacional

Polícia prende autor de tiroteio que deixou quatro mortos no Canadá

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A Polícia canadense prendeu o suspeito de um tiroteio registrado nesta sexta-feira (10) e que deixou quatro mortos - dois deles policiais - na localidade de Fredericton, no leste do Canadá - informaram autoridades.

O suspeito é um homem de 48 anos, residente em Fredericton, disse o vice-chefe da Polícia da cidade, Martin Gaudet, em uma coletiva de imprensa, sem dar detalhes sobre as motivações do suposto atirador, que teria ficado gravemente ferido.

O homem foi preso em seu apartamento pouco depois do ataque, acrescentou Gaudet.

Policiais chegaram rapidamente à cena, um pequeno prédio em uma zona residencial no norte da cidade, após receber um telefonema às 07h10 locais (mesma hora em Brasília). Uma vez ali, encontraram duas pessoas estendidas no chão.

"Foi então que atiraram neles", explicou o funcionário.

Uma testemunha que acordou com o barulho disse à TV local que de sua janela pôde ver um homem atirando de seu apartamento. "Não vi o atirador, só o cano da sua arma", afirmou.

Os dois policiais assassinados são um homem de 45 anos, casado e com quatro filhos, e uma mãe de três filhos, de 43. As outras duas vítimas são um homem e uma mulher adultos, disse Gaudet. Ele não informou sobre feridos, além do atirador.

O bairro de Brookside, no centro de uma cidade com 60.000 habitantes situada em Nouveau-Brunswick (leste), esteve isolado por várias horas após o tiroteio, segundo testemunhas. Ao meio-dia o perímetro de segurança foi levantado.

Durante várias horas, a polícia local pediu à população para ficar em casa e confinou os clientes dentro das lojas.

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, reagiu de imediato à notícia.

"Meus sentimentos estão com todos os que foram afetados pelo tiroteio esta manhã. Acompanharemos a situação de perto", tuitou o premiê.

- "Como em um filme" -

"Escutei o que pensei serem crianças brincando com fogos de artifício. Dois disparos, três disparos, depois quatro... Era surrealista, como em um filme", contou à Rádio Canadá Pierre Huard, morador dos arredores.

Cerca de 20 crianças com idades entre 2 e 7 anos ficaram confinadas em sua escola, e várias lojas foram fechadas, afirmou Rachel Le Blanc, outra testemunha, diretora de uma creche.

"Não têm ideia do que está acontecendo, o que é muito bom", disse. "Muitos pais ligaram, estão muito assustados, se tranquilizaram", acrescentou.

A província de Nouveau-Brunswick, no leste do país, já havia vivenciado um tiroteio mortal em junho de 2014.

Três elementos da Real Polícia Montada do Canadá foram mortos na rua, em Moncton, a principal cidade de Nouveau-Brunswick, por um homem que abriu fogo contra eles.

O assassino foi condenado a 75 anos de prisão, a sentença mais dura já imposta a uma pessoa na história recente do Canadá.

Na noite de 22 de julho, um homem abriu fogo em uma rua de Toronto e causou a morte de uma jovem de 18 anos e de uma menina de 10, ferindo outras 13 pessoas.

O ataque a tiros foi reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI), mas a Polícia afirmou que não tinha provas que apoiassem essa reivindicação.

Esta série de ataques a tiros poderia reativar o debate sobre o controle de armas de fogo no Canadá.

Em março, o governo Trudeau endureceu as condições para se conseguir armas de fogo, argumentando um aumento dos crimes violentos, mas sem se atrever a criar um sistema de registro nacional de armas obrigatório.

Consultado pelos meios de comunicação, o ministro federal de Segurança Pública, Ralph Goodale, reconheceu que "a violência com armas de fogo aumentou há cinco anos".

É preciso fortalecer a legislação para "abandonar especificamente este objetivo, melhorando nossa lei de armas e desbloqueando novos investimentos para ajudar as províncias e municípios a lidar com isso", acrescentou.

"Em nome de todos os habitantes de Nouveau-Brunswick, ofereço minhas condolências e minhas orações pelas vítimas e seus familiares", afirmou, por sua vez, o primeiro-ministro da província, Brian Gallant, também pelo Twitter.

Agência AFP


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