Jornal do Brasil

Segunda-feira, 23 de Julho de 2018 Fundado em 1891

Internacional

Último mergulhador a deixar caverna da Tailândia relata final dramático

Jornal do Brasil

A energia elétrica e as bombas para retirar água pararam de funcionar, o que tornou imperativo deixar a caverna - conta o último mergulhador a deixar a gruta na Tailândia, após o resgate dos 12 garotos e de seu treinador.

As últimas cinco pessoas resgatadas tinham acabado de serem retiradas, na terça à noite, quando de repente se ouviu um grito do lugar mais delicado do trajeto de saída - uma galeria tubular por onde se passava com muita dificuldade.

"O australiano que supervisionava a passagem começou a gritar dizendo que a bomba d'água tinha deixado de funcionar", contou à AFP Chaiyananta Peeranarong, de 60 anos, ex-comandante da Marinha tailandesa.

"Se não se bombeasse a água nesse lugar, só seria possível sair com um cilindro de oxigênio", explicou, relatando os últimos instantes dessa dramática evacuação.

Chaiyananta Peeranarong, de 60 anos, foi o último mergulhador a deixar a gruta na Tailândia

Os últimos mergulhadores "correram" então para passar por esse lugar "T", um pesadelo por sua estreiteza.

Chaiyananta deixou os colegas passarem e saiu por último. Teve tempo apenas de passar antes de o lugar ficar totalmente submerso.

"A água já chegava na cabeça, quase ao ponto de precisar de um cilindro de oxigênio", contou.

O ex-comandante tailandês explicou que a prioridade da equipe internacional de especialistas, da qual ele fazia parte, era garantir que os meninos não entrassem em pânico.

Por isso, alguns foram sedados e adormecidos, como mostra um vídeo divulgado na quarta-feira à noite pela célula de crise.

- Dar-lhes segurança -

"Alguns estavam adormecidos, outros moviam os dedos, tontos", relatou.

"Os médicos verificavam constantemente o estado e o pulso", acrescentou.

"Disseram à imprensa que os garotos deveriam aprender a mergulhar. Esse garotos não comiam, ou dormiam, há dias, como teriam encontrado energia para praticar? Isso era absurdo", criticou.

A célula de crise garantiu, nos dias de espera antes do desfecho, que os mergulhadores que permaneceram com eles antes da evacuação os ensinaram a se familiarizar com o equipamento para mergulhar.

"Precisávamos apenas que soubessem como respirar e não entrar em pânico na água. Precisávamos apenas que se sentissem seguros, que tudo iria bem", completou.

A imagens dos garotos em macas, transportados pelos socorristas, ou retirados em tirolesas na última parte da caverna, são muito impressionantes.

Entre os 13 principais socorristas estão os britânicos Stanton e John Volanthen, que são os que encontraram os garotos a quatro quilômetros da entrada da caverna. Nesse momento, o nível da água era muito alto, e o grupo aguardava sobre uma rocha cercada de água.

Agência AFP


Tags: buscas, caverna, desaparecidos, futebol, time

Compartilhe: