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Quinta-feira, 19 de Julho de 2018 Fundado em 1891

Internacional

Da guerra verbal à cúpula cancelada: 18 meses da relação Kim-Trump

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O cancelamento da cúpula entre o presidente americano, Donald Trump, e o presidente norte-coreano, Kim Jong-un, prevista para 12 de junho em Cingapura, é o último capítulo na saga da turbulenta relação entre ambos, marcada pela alternância de promessas de paz com insultos pessoais.

- Ameaças nucleares -

Em 2 de janeiro de 2017, antes de assumir a Presidência, Trump afirmou que a Coreia do Norte nunca poderia desenvolver uma "arma nuclear capaz de chegar ao território americano".

A via diplomática para enfrentar o que considerou "o grande problema" da Coreia do Norte parecia ser a opção e, em maio de 2017, antes do início da escalada das tensões, Trump anunciou estar pronto para se reunir com Kim.

"Se as condições forem adequadas para me reunir com ele, vou fazer isso, claro. Seria uma honra", chegou a afirmar.

Mas, nos meses seguintes, Pyongyang fez dois disparos de mísseis intercontinentais, e Kim garantiu que "todo território americano está ao nosso alcance". A crise explodiu entre os dois países, incluindo sanções financeiras de Washington e a promessa de Trump de responder com "fogo e fúria" a qualquer ataque da Coreia do Norte.

Em resposta, os norte-coreanos fizeram seu sexto teste nuclear, depois do qual afirmaram ter-se tratado da potente "Bomba H".

- Insultos pessoais -

A retórica beligerante dos dois líderes rapidamente deu um giro pessoal muito agressivo. Antes da Assembleia Geral das Nações Unidas em setembro de 2017, Trump chamou Kim de "homem-foguete". Dois dias depois, o governante norte-coreano prometeu "disciplinar com fogo" o presidente americano "mentalmente transtornado".

Em novembro de 2017, Trump chamou Kim de "cão doente", antes de se gabar, no início de 2018, do tamanho de seu "botão nuclear": "Alguém desse debilitado e famélico regime deveria, por favor, informar a ele que eu também tenho um botão nuclear, que é maior e mais poderoso do que o dele e que o meu botão funciona!".

- Otto Warmbier 'torturado' -

Em setembro de 2017, Trump acusou Pyongyang de "torturar além do imaginável" Otto Warmbier, o estudante americano detido na Coreia do Norte em janeiro de 2016, devolvido aos Estados Unidos em estado de coma, em junho de 2017. Morreu uma semana após ser repatriado. Washington decidiu proibir seus cidadãos de irem à Coreia do Norte e colocou o país novamente em sua lista de estados que apoiam o terrorismo.

- Jogos Olímpicos -

Em fevereiro de 2018, durante os Jogos Olímpicos de inverno em Pyeongchang (Coreia do Sul), as duas Coreias se aproximaram: simbolicamente, ao desfilarem juntas na cerimônia de abertura, e diplomaticamente, com a reunião de enviados de ambos os países. Trump aplaudiu esse descongelamento, atribuindo o avanço a uma conquista pessoal: "Sem mim (...) os Jogos Olímpicos teriam sido um fracasso e, em vez disso, foram um grande sucesso".

- Visita surpresa de Pompeo -

Como diretor da CIA, e antes de assumir o Departamento de Estado, Mike Pompeo viajou para Pyongyang durante o fim de semana de Páscoa para se reunir com Kim. Em 8 de maio, Trump revelou que seu novo secretário de Estado iria novamente à Coreia do Norte. Pompeo voltou a falar com o líder norte-coreano e retornou para os Estados Unidos com três ex-prisioneiros americanos, cuja libertação era reivindicada por Washington.

- Cúpula cancelada -

A anunciada cúpula entre Trump e Kim, em 12 de junho, era esperada como histórica, mas foi cancelada pelo presidente americano, em uma carta ao presidente norte-coreano em 24 de maio: "eu sinto que é inapropriado, neste momento, ter esse encontro longamente planejado".

Em uma nova escalada verbal, Trump criticou a "raiva" e a "aberta hostilidade" de Pyongyang, ao mesmo tempo que advertiu: "Você se refere a sua capacidade nuclear, mas a nossa (capacidade) é tão grande e potente que rezo a Deus que nunca tenha que utilizá-la".

Nas últimas semanas, os dois países voltaram a adotar uma retórica ameaçadora, com o vice-presidente americano, Mike Pence, afirmando que a Coreia do Norte poderia terminar como a Líbia de Muammar Khadafi.

leo/faa/ad/ja/tt

Agência AFP


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