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Sexta-feira, 22 de Junho de 2018 Fundado em 1891

Internacional

União Europeia e mercados financeiros se preocupam com Itália

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A preocupação aumentava nesta terça-feira na Europa e nos mercados diante dos desdobramentos políticos na Itália, país fundador da União Europeia (UE) e do euro, perto de ser dirigido por um governo populista e eurocético.

Os alertas dos dirigentes europeus se multiplicaram nos últimos diante para a coalizão antieuropeia que se estabelece em Roma.

Sobretudo porque a coalizão não oculta suas intenções de executar uma política de estímulo consistente em disparar o déficit público e a dívida - ainda com o risco de provocar uma crise do euro.

O presidente italiano, Sergio Mattarella, pediu novas consultas nesta terça-feira antes de decidir se nomeia ou não Guiseppe Conte, jurista desconhecido da população, proposto pelas formações Movimento 5 Estrelas (M5E, antissistema) e a Liga (extrema-direita) para dirigir o governo. Sua rejeição levaria a novas eleições.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, se recusou a fazer qualquer comentário enquanto espera a decisão. "Compreendemos que o processo constitucional está em curso e esperaremos que se conclua", disse seu porta-voz, Margaritis Schinas.

"Há algo preocupante, sim", reconheceu a comissária europeia de Comércio, Cecilia Malmström, antes de uma reunião ministerial nesta terça-feira em Bruxelas.

O euro se manteve sob pressão frente ao dólar nesta terça, após ter registrado seu mínimo desde meados de novembro na véspera.

A Bolsa de Milão recuou, nesta segunda-feira, 1,52%, enquanto o prêmio de risco - diferença entre as taxas de endividamento italiana e alemã a dez anos - tinha aumentado, fechando a 186 pontos (55 pontos a mais em menos de uma semana).

Um vice-presidente da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis, lançou um alerta muito explícito em uma entrevista publicada nesta terça-feira no jornal econômico alemão Handelsblatt.

"A Comissão Europeia não interfere, a princípio, na política nacional. Mas para nós é importante que o novo governo italiano mantenha o rumo e dirija uma política orçamentária responsável", declarou o comissário letão, responsável pelo euro no Executivo europeu.

- 'Brincar com o fogo' -

"A Itália tem a maior dívida pública na zona do euro depois da Grécia", lembrou ele como um alerta.

O custo da dívida do governo italiano para financiar seus déficits nos mercados financeiros aumentou nos últimos dias.

"Só podemos aconselhar a manter o rumo em termos de política econômica e financeira, promover o crescimento por meio de reformas e manter o déficit orçamentário sob controle", disse o vice-presidente da Comissão sobre esse assunto.

Há uma semana, outro vice-presidente da Comissão Europeia, Jyrki Katainen, tinha alertado o governo italiano contra qualquer tentativa de romper o pacto europeu de estabilidade e crescimento.

"As regras do pacto de estabilidade e crescimento aplicam-se a todos os Estados-membros da UE", disse ele.

Essas advertências contínuas provocaram estresses para os líderes das duas forças da coalizão italiana. "Primeiro deixem-nos começar, então vocês podem nos criticar, terão todo o direito, mas vamos começar", disse Luigi Di Maio, chefe do M5S, na noite de segunda-feira.

Já Matteo Salvini, líder da Liga, acrescentou: "eles não precisam se preocupar, o governo do qual faremos parte quer fazer a Itália crescer, respeitando todas as regras e compromissos".

Antes, ele já havia respondido apaixonadamente a uma advertência de Manfred Weber, funcionário do partido da chanceler alemã, Angela Merkel. "Que ele cuide da Alemanha e nós vamos cuidar do que é bom para os italianos", escreveu no Twitter.

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Agência AFP


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