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Terça-feira, 21 de Agosto de 2018 Fundado em 1891

Internacional

Mais de 25 mil evacuados em emergência em hidrelétrica na Colômbia

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Mais de 25.000 pessoas foram evacuadas na Colômbia diante do risco de cheia do rio que abastece a hidrelétrica em construção no noroeste da Colômbia e que ameaça 130.000 moradores.

A empreiteira brasileira Camargo Corrêa integra o consórcio responsável pelas obras.

Desde que a emergência começou, em 12 de maio, 25.234 camponeses foram levados para locais seguros e por enquanto os organismos de resgate não especificaram quantas pessoas mais terão que ser desalojadas, informou a estatal Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (Ungrd) em um comunicado.

A entidade que supervisiona a emergência emitiu mais cedo um alerta vermelho de evacuação para quatro dos doze municípios na zona de risco da usina Hidroituango, no departamento (estado) de Antioquia, segundo um comunicado.

A situação foi provocada por um "fluxo de água" em um dos túneis de desvio de Hidroituango, o que poderia provocar uma cheia repentina no rio Cauca, o segundo maior do país. O alerta foi mantido.

As comunidades (rurais) de Valdivia, Puerto Antioquia, Cáceres e Tarazá deverão "seguir a ordem de evacuação preventiva", declarou à AFP um porta-voz do departamento de prevenção e atenção a desastres.

"É preciso esperar que termine este novo processo para saber o total de pessoas realocadas", disse à AFP Ana María Escobar, da entidade responsável pela gestão da emergência.

Por meio das redes sociais, moradores contrários ao projeto e que são apoiados pelo movimento ambiental Rios Vivos, exigiram "albergues e ajudas humanitárias dignas".

"Não temos um albergue digno, no ginásio onde estamos chove muito, os banheiros estão extremamente sujos, estamos em uma problemática muito terrível", criticou Blanca Gómez em um vídeo publicado pela ONG.

A Hidroituango entrou em emergência depois que um deslizamento provocado por uma falha geológica bloqueou um dos túneis de desvio de águas do rio, segundo as Empresas Públicas de Medellín (EPM), o maior sócio do projeto.

Especialistas não descartam que erros de engenharia e planejamento, ou até que uma política de redução de custos no projeto, tenham comprometido a obra.

A partir de então, a represa começou a encher sem estar concluída.

Operários trabalham intensamente para elevar a altura da represa e desviar a água pelo desaguadouro, mas as chuvas que caem na região complicam ainda mais os trabalhos.

Iniciada em 2010 com investimentos que superam os 3 bilhões de dólares, a megaobra atenderá quase um quinto da demanda energética do país.

A construção da usina está a cargo do consórcio CCC Ituango, integrado pela brasileira Camargo Corrêa (55%) e as colombianas Conconcreto (35%) e Coninsa-Ramón H (10%).

A Justiça colombiana investiga a contratação e a licitação das obras, bem como possíveis danos ambientais.

mro/vel/gm/mvv

Agência AFP


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