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Quinta-feira, 19 de Julho de 2018 Fundado em 1891

Internacional

Trump volta a atacar investigação sobre as eleições na Rússia

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atacou duramente neste domingo (18) a neutralidade da equipe do procurador especial e ex-chefe do FBI Robert Mueller, encarregado de investigar um suposto conluio com a Rússia para beneficiá-lo nas eleições de 2016, enquanto os legisladores republicanos advertiram que se oporiam a uma eventual demissão do funcionário.

Em um tuíte matutino, Trump insistiu em que a equipe de investigadores de Mueller seria composta por democratas "endurecidos", predispostos contra ele.

"Alguém acha que isso é justo? E, no entanto, NÃO HÁ CONLUIO!" entre sua equipe de campanha e o governo russo, repetiu Trump no Twitter. Na noite anterior, ela já tinha escrito, também no Twitter, que "a investigação de Mueller nunca deveria ter começado".

As postagens destemperadas são o último capítulo de um confronto cada vez mais intenso sobre a investigação de Mueller que apura o suposto conluio entre a equipe de campanha de Trump e a Rússia para influenciar a seu favor as eleições de 2016.

"Por que a equipe de Mueller tem 13 democratas endurecidos, alguns grandes partidários da Desonesta Hillary e zero republicanos? Acrescentou recentemente outro democrata", criticou Trump.

O presidente também criticou o ex-vice-diretor do FBI Andrew McCabe, demitido na sexta-feira, dois dias antes de sua aposentadoria, e o ex-diretor do FBI James Comey, que Trump demitiu no ano passado pela investigação sobre a Rússia.

Até agora, o presidente havia se abstido de atacar diretamente Mueller, o ex-diretor do FBI encarregado da investigação sobre a Rússia após a demissão de Comey, em 9 de maio de 2017.

Respeitado em ambas as correntes políticas, Mueller havia sido nomeado chefe do FBI pelo presidente republicano George W. Bush e mantido no cargo pelo presidente democrata Barack Obama. 

Muitos legisladores republicanos neste domingo que a investigação de Mueller deve continuar.

"Está avançando à medida que vai acumulando provas e acho que é muito importante deixá-lo fazer seu trabalho, sem interferências", destacou em declarações à CNN o senador pela Carolina do Sul Lindsey Graham, segundo quem vários de seus companheiros de partido compartilham de seu ponto de vista.

Se Trump tentar demitir Mueller, disse Graham, "seria o começo do fim de sua Presidência, já que somos um Estado de direito".

Chris Christie, ex-governador de Nova Jersey, muito próximo de Trump durante a campanha, elogiou a investigação de Mueller, "conduzida com extrema integridade, sem o menor vazamento". 

"Não seria apropriado que o fizesse e não acho que o faça", respondeu, ao ser interrogado sobre a hipótese de que o presidente vá demitir o procurador.

Os líderes da bancada republicana nas duas câmaras permaneceram calados por enquanto.

Tuítes pueris

No fim de janeiro, Trump manifestou a disposição em depor ante o procurador especial, mas depois seus advogados disseram que o presidente ainda não havia decidido nada a respeito.

Segundo o jornal The New York Times, os defensores de Trump receberam recentemente de parte da equipe de Mueller uma lista com as perguntas às quais o presidente seria submetido se prestar depoimento.

Trump atacou Comey em uma série de tuítes matinais, nos quais também questionou Andrew McCabe, afirmando que nunca tomou nota das reuniões que mantiveram, diferentemente do que disse o ex-número 2 do FBI.

Tratam-se de "Fake Memos" (memorandos falsos), assim como os que Comey disse ter escrito e entregue ao procurador Mueller, acrescentou Trump.

"Não responderemos a cada um destes tuítes pueris, repugnantes e falsos do presidente", reagiu Michael Bromwich, advogado de McCabe, assegurando que a verdade será revelada "em seu devido tempo".

Comey disse que dará a sua versão dos fatos que rondaram sua demissão em um livro que publicará dentro de um mês.

Para David Axelrod, ex-assessor de Barack Obama, estes ataques à equipe do procurador especial demonstram uma coisa: "Mueller está chegando perto e o presidente está cada vez mais frenético".

Agência AFP


Tags: eua, fbi, justiça, política, rússia

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