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Sexta-feira, 22 de Junho de 2018 Fundado em 1891

Internacional

Flórida aprova lei que impede ao estado fazer negócios com a Venezuela

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Os legisladores da Flórida aprovaram nesta quinta-feira (8) uma lei que proíbe este estado americano de investir em empresas que façam negócios com o governo da Venezuela, em razão do "uso de extrema violência e perseguição política".

Espera-se que a lei 359 seja assinada pelo governador Rick Scott, que já se manifestou a favor da medida, cuja entrada em vigor está prevista para 1º de julho deste ano.

A lei proíbe à Junta de Administração Estadual (SBA) "investir em ações, títulos de dívida e outras obrigações" com qualquer companhia nos Estados Unidos que faça negócios com o governo da Venezuela.

O dinheiro dos contribuintes da Flórida tampouco poderá ser usado para negociar com instituições financeiras, companhias que outorguem créditos, ou comprem bônus, bens e serviços que, de alguma forma, beneficiem o governo de Nicolás Maduro.

Isso acontece em um momento em que a Venezuela se prepara para as eleições de 20 de maio, nas quais Maduro tentará ser reeleito até 2025, e que são tachadas de fraude pela oposição, cujos principais líderes estão presos ou foram inabilitados politicamente.

No ano passado, uma onda de protestos que exigia a saída de Maduro do poder deixou 125 mortos, em um contexto de profunda escassez, de uma inflação projetada pelo FMI para este ano em 13.000% e um racha social que está provocando uma crise de refugiados na América Latina.

Segundo a nova lei 359 da Flórida, "o governo da Venezuela é intolerável porque usou e continua usando extrema violência e perseguição política em uma supressão orquestrada dos direitos humanos".

Não obstante, o governador tem o poder de suspender as restrições sobre os negócios com a Venezuela "se o atual governo entrar em colapso, e há uma necessidade de ajuda imediata (...) e outras razões humanitárias".

O governo venezuelano atribui a crise a uma "guerra econômica" para derrubá-lo.

- Uma sequela do Goldman Sachs -

A proposta foi desenhada originalmente em julho pelo senador democrata José Javier Rodríguez depois que o banco de investimentos Goldman Sachs comprou bônus venezuelanos a menos de um terço do preço.

A transação desencadeou a ira dos opositores de Maduro, que acusou o Goldman Sachs de apoiar a "ditadura".

Pouco depois, Rick Scott favoreceu esta medida. "O regime de Maduro está danificando e oprimindo as famílias venezuelanas", assinalou em janeiro, quando a lei estava começando a ser discutida. "E eu fui absolutamente claro que o estado da Flórida não dará o seu apoio".

De fato, o governador se reuniu com líderes da comunidade venezuelana na Flórida para discutir esta questão.

Esta é uma das várias medidas de pressão que os Estados Unidos exercem sobre a Venezuela.

Em agosto, Washington impôs medidas financeiras contra o país e petroleira Pdvsa, que, segundo Caracas, não só impedem cidadãos e empresas dos Estados Unidos de negociar uma nova dívida venezuelana, mas dificultam o pagamento de operações de comércio internacional.

Os Estados Unidos, que acusam a existência de uma "ditadura" na Venezuela, também considera a possibilidade de sancionar as exportações petroleiras em meio a assinalamentos ao "regime" de Maduro por adiantar as eleições presidenciais.

De acordo com dados de 2016 do censo, cerca de 300 mil venezuelanos vivem nos Estados Unidos. Destes, quase metade (144 mil) residem na Flórida, particularmente em Miami.

Agência AFP


Tags: caracas, eua, florida, internacional, miami

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