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Internacional

Dois brasileiros devem ser eleitos ao Parlamento da Itália

Fausto Longo e Luis Lorenzato tiveram votações expressivas

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Dois brasileiros devem se sentar na Câmara dos Deputados da Itália a partir de 23 de março, quando terá início a legislatura eleita no pleito legislativo realizado no último domingo (4).

O arquiteto Fausto Longo, do centro-esquerdista Partido Democrático (PD) e atual senador da República Italiana, e o empresário e advogado Luis Roberto Lorenzato, da ultranacionalista Liga Norte, conquistaram duas vagas na Câmara para representar a circunscrição da América do Sul, segundo dados provisórios do Ministério do Interior.

A Itália permite que cidadãos residentes no exterior elejam 18 representantes no Parlamento, sendo 12 deputados e seis senadores. Esses parlamentares são divididos entre quatro circunscrições: América do Sul; América do Norte e Central; Europa; e África, Ásia, Oceania e Antártida.

Na América do Sul, os italianos elegem quatro deputados e dois senadores. O Ministério do Interior da Itália ainda não oficializou os nomes dos eleitos na região, mas, pela repartição dos assentos parlamentares entre os partidos, já é possível ter uma ideia de quem saiu vitorioso.

Senador desde 2013, Longo recebeu, até o momento, 8.906 votos e lidera a lista do PD, que conquistou uma vaga na Câmara. Já Lorenzato teve 11.106 e está em primeiro lugar na lista da coalizão da Liga Norte com os partidos Força Itália (FI), de Silvio Berlusconi, e Irmãos da Itália (FDI).

As outras duas vagas de deputado na América do Sul ficarão com os argentinos Mario Alejandro Borghese, do Movimento Associativo dos Italianos no Exterior (Maie) e deputado desde 2013, e Eugenio Sangregorio, da União Sul-Americana dos Emigrados Italianos (Usei).

Por outro lado, o Brasil não conseguiu eleger nenhum representante para o Senado: Ricardo Merlo (Maie), com 52.739 votos, que vai para seu quarto mandato, e Adriano Cario (Usei), com 21.868, ambos residentes na Argentina, foram os vencedores.

A apuração está na reta final, mas denúncias de irregularidades na votação no exterior, que é feita por meio de cédulas enviadas pelos correios, impedem a promulgação do resultado final.

Sistema

Os parlamentares italianos do exterior são eleitos por meio de um sistema proporcional que valoriza o partido ou coalizão.

Primeiro, contabiliza-se o número de votos recebido por cada aliança ou legenda para definir a divisão de cadeiras. Depois, escolhe-se o candidato (ou candidatos) mais votado dentro de cada lista vencedora, à semelhança do modelo eleitoral para o Congresso brasileiro.

Dessa forma, postulantes bem votados, mas de coalizões pouco populares, acabam ficando de fora. É o caso de Renata Bueno, que tentava a reeleição e recebeu, até aqui, 14.250 votos. No entanto, sua lista, a Cívica Popular, de centro, está apenas na sexta colocação, com 6,3% dos votos, e não elegeu nenhum representante.

Se fosse levada em conta apenas a votação de cada candidato, Bueno desbancaria Longo. Outro ítalo-brasileiro que perdeu o lugar no Parlamento é o deputado Fabio Porta, que tentava se eleger para o Senado, mas está em terceiro lugar, com 19.965 votos.

Ao todo, 24 candidatos brasileiros ou residentes no Brasil disputavam as seis vagas da América do Sul.

Vencedores

Nascido em Orlândia, interior de São Paulo, Lorenzato é descendente dos Ivrea, uma dinastia de nobres italianos, e apresentou durante dois anos um programa de televisão chamado "Conexão Itália".

Dono de vinícola, Lorenzato também foi membro do conselho superior de responsabilidade social da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do conselho de relações internacionais da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP).

Em entrevista recente à ANSA, ele prometeu apoiar a criação de linhas de crédito para empresas italianas no Brasil, lutar pela extradição de Cesare Battisti e trabalhar pela reativação de escritórios consulares em cidades menores para acelerar os processos de reconhecimento de cidadania.

Também paulista, mas de Amparo, Longo é arquiteto e urbanista formado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e foi coordenador do Partido Socialista Italiano (PSI) na América do Sul.

Assim como Lorenzato, é ligado à Fiesp, onde chefiou o departamento de meio ambiente e desenvolvimento sustentável, e já exerceu cargos na Secretaria de Estado da Ciência de São Paulo e no Ministério da Ciência e Tecnologia do Brasil.

Longo pretende incentivar a promoção de produtos "made in Italy", divulgar o potencial da comunidade ítalo-descendente na América do Sul e apoiar a extradição de Battisti.



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