Jornal do Brasil

Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2018 Fundado em 1891

Internacional

Irmãos espionaram cerca de 6 mil pessoas na Itália

Entre as vítimas estão políticos e empresários do país

Agência ANSA

Os irmãos Giulio e Francesca Occhionero, acusados de espionagem contra personalidades do mundo político e financeiro italiano, monitoraram mais de 3,5 milhões de mensagens eletrônicas e cerca de 6 mil pessoas desde 2004.

Os números estão em uma nova frente do inquérito contra os dois, que teriam liderado uma rede de espionagem na Itália por meio de um malware chamado "Eye Piramid", que permite controlar computadores à distância.

O resultado das perícias dos equipamentos dos irmãos Occhionero, presos em janeiro de 2017, foi anunciado nesta terça-feira (12) pelo procurador da República em Roma Eugenio Albamonte e obtido em colaboração com o FBI, que ajudou a desbloquear os servidores norte-americanos usados pelos dois investigados.

Giulio, que continua detido na penitenciária Regina Coeli, em Roma, e Francesca, que ganhou liberdade condicional em setembro, são réus por terem montado uma vasta operação de espionagem contra representantes do Estado, políticos, industriais e empresas.

Segundo a acusação, os irmãos tentaram violar até as contas de email dos ex-primeiros-ministros Matteo Renzi e Mario Monti e do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi. Eles alegam que não há qualquer prova de subtração de dados.

Entenda

A investigação começou em maio de 2016, quando um servidor da Entidade Nacional de Assistência ao Voo (Enav), responsável pelo controle de tráfego aéreo na Itália, percebeu que dirigentes da estatal haviam recebido emails suspeitos de um escritório de advocacia.

O funcionário analisou o conteúdo das mensagens eletrônicas e descobriu que o escritório, assim como outros concorrentes, tinha sofrido um ataque informático que permitira que hackers usassem suas contas para enviar emails com malware.

Na época, a Enav estava para abrir capital na Bolsa de Milão, um período no qual circulavam por seus correios eletrônicos mais informações sigilosas do que de costume. A estatal comunicou o ocorrido à Polícia Postal, que se ocupa de inquéritos sobre crimes cibernéticos e chegou ao nome dos irmãos Occhionero, supostos "gestores" da rede criada em torno do malware.

Em seis anos, eles teriam listado 18.327 contas online de vários tipos e obtido as senhas de 1.793 delas. Com isso, teriam tido acesso a informações e arquivos confidenciais dos usuários desses endereços. Os dados foram catalogados em diversas pastas, sendo que uma delas se chamava "Pobu", que, segundo a Procuradoria, significa "Political & Business" ("Política e Negócios").

Giulio era engenheiro nuclear e diretor de uma empresa chamada Westlands Securities, que opera no setor de investimentos financeiros. Já Francesca é formada em química, mas sempre trabalhou com o irmão.

Tags: acusação, espionagem, itália, matteo renzi, occhionero

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