Jornal do Brasil

Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017

Internacional

Nomeação para Banco Central abre crise no governo da Itália

Partido de Gentiloni aprovou moção contra presidente da entidade

Agência ANSA

Já se encaminhando para sua reta final, o governo do primeiro-ministro da Itália, Paolo Gentiloni, entrou no meio de uma crise com a principal legenda da base aliada, o Partido Democrático (PD), de centro-esquerda.    

Na última terça-feira (17), os deputados da sigla conseguiram aprovar na Câmara uma moção que pede, de maneira indireta, que o mandato do presidente do Banco da Itália - o banco central do país -, Ignazio Visco, não seja renovado.    

No texto, os parlamentares do PD, partido liderado pelo ex-premier Matteo Renzi, cobram a indicação de uma figura "idônea" para guiar a instituição, a quem acusam de ter falhado na vigilância do sistema bancário nos últimos anos, quando diversas entidades financeiras do país quebraram ou ficaram à beira da falta de liquidez por causa dos erros de seus dirigentes.    

Contudo, a ação foi considerada por analistas e pela oposição como uma intromissão do Partido Democrático, uma vez que a nomeação do chefe do Banco da Itália cabe ao presidente da República, após indicação do primeiro-ministro.    

Além disso, o cargo ocupado por Visco é, em teoria, independente de governos e legislaturas, o que levantou temores sobre uma possível ação do PD para tolher a autonomia da instituição. "A relação entre o governo e o partido de maioria é fundamental e ótima, de maneira geral", declarou Gentiloni nesta sexta-feira (20), minimizando a crise.    

O mandato de Visco termina no fim do mês, e ainda não se sabe se ele continuará no cargo ou se será substituído. "Existe um procedimento que envolve diversas instituições, e o governo tomará sua decisão no respeito da autonomia do banco", acrescentou o primeiro-ministro. 

Tags: autonomia, banco, europa, monetária, política

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