Jornal do Brasil

Domingo, 19 de Novembro de 2017

Internacional

Uso de automóveis como 'armas' tem se tornado mais frequente

Tática é usada tanto no Oriente Médio como em países do Ocidente

Agência ANSA

O atentado ocorrido nesta quinta-feira (17) em Las Ramblas, Barcelona, voltou a jogar luz sobre uma das táticas mais antigas e mais usadas pelos grupos terroristas e/ou radicais pelo mundo: o uso de automóveis contra civis.

Assim como ocorreu no ponto turístico catalão, onde 13 pessoas morreram, diversas cidades europeias viveram momentos de terror por conta desse tipo de ação: um carro, van ou caminhão atropela o máximo de pessoas possíveis, especialmente turistas ou agentes das forças de segurança, para causar o maior número de mortes.

A tática é muito usada também pelo fato de que um automóvel não chama a atenção das demais pessoas e só se torna objeto de investigação em pontos específicos, como em um posto de fronteira ou em uma checagem policial. No mais, ele acaba tendo "trânsito livre" por qualquer lugar das grandes cidades.

O maior dos ataques nos últimos anos ocorreu em Nice, na França, em 14 de julho do ano passado, quando um caminhão atropelou centenas e matou 85 durante as celebrações do Dia da Bastilha. Outro com um grande número de mortos ocorreu em Berlim, na Alemanha, quando Anis Amri dirigiu contra um mercado de Natal e matou 12 pessoas.

No entanto, apesar da memória recente, essa tática é usada no Oriente Médio, especialmente por grupos radicais palestinos, há vários anos. Diversos casos registrados desde a década de 1990, de menor proporção, foram registrados em Israel contra militares e agentes públicos.

Para se ter ideia, entre 2008 e 2017 foram, ao menos, 10 episódios em que palestinos avançaram com carros - dos mais diferentes tipos - contra agentes, pontos de ônibus e veículos oficiais.

Até Nice, porém, esse tipo de ataque causava poucas mortes por vez. No entanto, a partir de 2010, a tática usada no Oriente Médio começou a ser incentivada por diversos líderes de grupos terroristas.

Em 2010, o braço no Iêmen da Al Qaeda, incentivou através de uma de suas revistas para que os "fiéis" fizessem ações do tipo contra o "inimigos de Alá" nos países ocidentais. Quatro anos depois, foram os extremistas do Estado Islâmico (EI) que fizeram um discurso incitando o uso desse tipo de atentado.

Em setembro de 2014, o então porta-voz do EI, Abu Mohammed al-Adnani, deu instruções sobre como deveriam ser os atentados, dizendo que se o terrorista não pudesse detonar uma bomba ou abrir fogo contra um "infiel americano ou francês" que "use um carro para passar por cima dele".

Tags: agencia, ansa, ataques, internacional, terroristas

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