Jornal do Brasil

Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017

Internacional

Trump demite estrategista-chefe símbolo da ultradireita

Steve Bannon irritou o presidente com declarações em entrevista

Agência ANSA

A Casa Branca confirmou nesta sexta-feira (18) a saída do estrategista-chefe de Donald Trump, Steve Bannon, em meio às críticas contra o presidente por sua resistência em atribuir os episódios de violência em Charlottesville, na Virgínia, a neonazistas.

Por meio de um comunicado, o governo dos Estados Unidos disse que o chefe de gabinete de Casa Branca, John Kelly, e Bannon chegaram a um "acordo" para que esta sexta seja o último dia de trabalho do estrategista.

"Somos gratos por seu serviço e lhe desejamos o melhor", diz uma nota assinada pela porta-voz Sarah Huckabee. Rumores sobre a demissão já corriam havia vários dias, mas ganharam força nas últimas horas.

Segundo a imprensa norte-americana, Trump ficou "furioso" com uma entrevista concedida recentemente por Bannon, na qual ele chama a extrema direita de "um monte de palhaços" e afirma que "não há solução militar para a Coreia do Norte", dias depois de o presidente ter ameaçado atacar Pyongyang com "fogo e fúria nunca antes vistos".

Aos 63 anos, o estrategista-chefe é tido como uma das principais vozes do ultranacionalismo nos Estados Unidos, principalmente por conta do período em que comandou o site "Breitbart News", um dos preferidos da extrema direita no país. No entanto, ele defende que o debate não se prenda a questões raciais.

Veículos de imprensa liberais, como o jornal "The New York Times", chegaram a dizer que Bannon era a verdadeira mente ideológica por trás do conservadorismo do presidente, explicitado em sua relutância nas declarações sobre o atropelamento que matou uma ativista em Charlottesville no último fim de semana.

Inicialmente, Trump não fez qualquer menção à extrema direita, a neonazistas ou a supremacistas brancos. Dois dias depois, pressionado, o mandatário cedeu e condenou racistas como "repugnantes", mas logo no dia seguinte ele voltou atrás e disse que os confrontos também foram causados pela extrema esquerda.

Em sete meses no cargo, o presidente já perdeu outros quatro membros do alto escalão do governo, incluindo o porta-voz Sean Spicer, o chefe de Gabinete Reince Priebus e o diretor de Comunicação Anthony Scaramucci, sendo que este último foi demitido após 10 dias no cargo e depois de ter causado a renúncia dos dois primeiros.

Completa a lista o então diretor do FBI, James Comey, demitido em meio às investigações sobre a suposta interferência da Rússia na eleição presidencial de 2016. Além disso, no fim de janeiro, Trump afastou a procuradora-geral interina Sally Yates por causa de sua oposição ao decreto que proíbe a entrada de cidadãos de seis países muçulmanos nos EUA.

Tags: agencia, ansa, estados, internacional, unidos

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