Jornal do Brasil

Terça-feira, 17 de Outubro de 2017

Internacional

Reino Unido queria lucrar com invasão do Kuwait pelo Iraque, diz jornal

Sputnik

O governo britânico considerou a invasão do Kuwait pelo Iraque em 1990 como uma "oportunidade sem precedentes" para vender armas aos países do golfo Pérsico, comunica o jornal Guardian, citando documentos desclassificados do Arquivo Nacional.

Segundo o jornal, entre os documentos revelados se encontram relatórios confidenciais sobre as viagens aos países do Golfo de Alan Clarke, então ministro de Aprovisionamento da Defesa, destinados a Margaret Thatcher. "O governo estava tentando tirar vantagem. A guerra era um estimulo à venda de armas aos países da região e ajudou a estabelecer relações sólidas que continuam existindo até hoje", ressalta a edição.

Na carta de Clarke, marcada como "secreta" e escrita em 9 de agosto de 1990, o ministro descreveu a resposta esperada dos EUA e seus aliados à invasão no Kuwait como uma "possibilidade sem precedentes" para a Organização de Serviços de Exportação de Defesa (DESO). "Qualquer que seja a política de intervenção que apliquemos, é uma oportunidade sem precedentes para a DESO", escreveu Clarke.

Na outra carta ele apontou: "Eu fiz uma lista das perspectivas atuais quanto a vendas de equipamentos de defesa no início da crise. Agora estas devem ser promovidas e deve ser aumentado seu volume".

De acordo com a edição, os documentos também provam que Clarke aproveitou os encontros com o emir do Qatar e o ministro da Defesa do Bahrein para promover as exportações de armas. Em outros relatórios, ele nomeou os Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Egito e Jordânia como compradores potenciais.

Entre as possíveis encomendas havia o fornecimento de helicópteros do tipo Westland Black Hawk aos EAU num valor total de 325 milhões de libras. O Omã expressou seu interesse na compra de veículos militares Warrior para ações militares no deserto, no total de 55 milhões de libras, e também na compra te tanques Challenger II. O Bahrein tencionava comprar caças Hawk e a Arábia Saudita tinha interesse em comprar sete navios hovercraft.

Clarke acreditava também que a partilha de informações de inteligência com os países do golfo Pérsico pouco antes da guerra de 1990 seria uma ferramenta de mercado útil para a indústria de armamento. O jornal acrescenta que o ministro tinha um plano para organizar visitas semanais de altos funcionários britânicos da inteligência aos países do Golfo para lhes entregarem relatórios "supersecretos". Clarke pensava que essas visitas "permitirão fornecer uma entrada impressionante para os representantes da DESO quando for mais apropriado".

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