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Ministro renuncia na Austrália por ter cidadania italiana

Lei australiana proíbe que políticos eleitos sejam estrangeiros

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O ministro de Recursos Federais para o Norte da Austrália, Matthew Canavan, renunciou ao seu cargo por um motivo curioso: sua família solicitou a dupla cidadania italiana. De acordo com a Constituição local, estrangeiros não podem ocupar cargos políticos eleitos no país.

A mãe do ministro, Maria Canavan, de origem italiana, deu entrada no seu processo de dupla cidadania em 2006, pelo consulado de Brisbane, e alertou o filho somente na semana passada. A embaixada da Itália na Austrália, por sua vez, confirmou que Canavan é considerado um cidadão italiano. "Parece que ela fez o pedido para minha cidadania também", disse o ministro. De acordo com Canavan, ele está fazendo uma pesquisa jurídica para saber "se a cidadania sem o seu consenso é válida para a lei italiana".

O caso veio à tona após dois outros senadores australianos se afastarem de seus cargos pelo mesmo motivo: o vice-líder do Partido Verde, Scott Ludlam, e sua colega de bancada Larissa Waters, que nasceram na Nova Zelândia e do Canadá, respectivamente. A lei australiana proíbe que um político estrangeiro ou com dupla cidadania ocupe cargos públicos eleitos. Canavan fora eleito senador pelo estado de Queensland em 2013 e, no ano passado, foi indicado para ministro de Recursos.

A renúncia de Canavan colocou o governo de Malcolm Turnbull em uma situação embaraçosa, já que o primeiro-ministro havia criticado o Partido Verde por não investigar a fundo seus candidatos. Além disso, o tema reabriu um debate sobre ao artigo constitucional de elegibilidade na Austrália.