Jornal do Brasil

Domingo, 30 de Abril de 2017

Internacional

O que pode ter derrubado avião da EgyptAir?

Aeronave teria sido alvo de atentado terrorista

Agência ANSA

Com exceção de um míssil, são muitas as "técnicas" que poderiam ter sido adotadas para derrubar o avião da EgyptAir que caiu no mar Mediterrâneo, caso se confirme que o desastre é realmente fruto de um atentado. 

"O primeiro cenário é aquele de um explosivo colocado a bordo da aeronave graças a cúmplices internos", afirma Pietro Batacchi, diretor da "Rivista Italiana Difesa" (RID), uma das principais publicações de estratégia e segurança militar da Europa. 

Segundo ele, o caso remete à tragédia com o avião da companhia russa Metrojet no último dia 31 de outubro, que matou 224 pessoas na península egípcia do Sinai. "Daquela vez, um explosivo improvisado teria sido introduzido a bordo por um mecânico a serviço do aeroporto de Sharm el Sheikh e ligado, por meio de um primo, ao Estado Islâmico [EI]", acrescenta o especialista.

No entanto, Batacchi ressalta que esse cenário seria difícil de se repetir em um aeroporto como o Charles de Gaulle, em Paris, onde os controles são muito mais rigorosos, especialmente após os atentados realizados na França em 2015.

Outra hipótese seria a do uso de elementos não detectáveis pela segurança, com os quais teria sido montada a bordo uma bomba improvisada. Em 2009, um terrorista nigeriano ligado à Al Qaeda na Península Arábica tentou detonar uma mistura de PETN (tetranitrato de pentaeritrina) e peróxido de acetona escondida na cueca. Ele só não conseguiu graças à intervenção de passageiros.

"Se trata de pouco menos de um hectograma [100 gramas], mais do que o suficiente, se detonada com eficácia, para criar um dano irreparável em uma estrutura pressurizada como a célula de um avião de passageiros", explica o especialista italiano.

Segundo Batacchi, outro caso a ser levado em consideração é o de um avião da companhia somali Daallo Airlines no qual, em fevereiro passado, um terrorista detonou uma pequena quantidade de TNT escondida dentro de um notebook. A explosão, reivindicada pelo grupo Al Shabab, causou um buraco na fuselagem, mas a aeronave conseguiu pousar em segurança, já que estava em baixa altitude. 

A última hipótese é a de um sequestro por um comando suicida que teria tomado o controle do jato e o derrubado no mar. Já a possibilidade de um míssil é descartada porque o avião estava a 37 mil pés de altitude e só poderia ser atingido por um sofisticado sistema terra-ar. "Não há indícios de que os grupos terroristas o tenham", afirma o diretor da RID.

Tags: ataque, Atentado, Europa, internacional, Oriente, voo

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