Jornal do Brasil

Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017

Internacional

Segundo turno das eleições regionais ocorre hoje na França, com a FN em boa vantagem 

Para cientista político, no entanto, força dos extremistas ainda é limitada 

Jornal do Brasil

Neste domingo (13) ocorre o segundo turno das eleições regionais na França. Por enquanto, o partido de extrema-direita Frente Nacional, presidido por Marine Le Pen, lidera em seis das treze regiões do país, tendo alcançado cerca de 28% dos votos em nível nacional ao fim do primeiro turno, realizado no último domingo (6). No entanto, apesar de evidenciar o crescimento do partido, uma provável vitória geral nas urnas não pode servir como referência para que a FN seja considerada “o primeiro partido da França”, como declarou recentemente Le Pen. 

Para o cientista político Fernando Fontainha, professor e pesquisador do IESP-UERJ, o bom desempenho nas eleições regionais superdimensiona a real força política da Frente Nacional no momento: “O partido conta hoje com apenas dois deputados, dois senadores, 1.500 conselheiros municipais de um total de 530.000, 11 prefeituras de um número de 360.000, e pouco mais do que 50.000 militantes. Ou seja, o entusiasmo auto-proclamado da Frente Nacional é incompatível com sua participação política atual”, afirma.

Para Fontainha, a influência da crise migratória e dos atentados terroristas de 13 de novembro sobre as eleições se faz presente, mas não é, de forma alguma, determinante para o resultado: Segundo o cientista político, o crescimento da FN “obedece a uma série histórica”, marcada por uma situação de crise econômica, que se estende há anos, e pelo que o pesquisador chama de “efeito de normalização” do partido, produzido pela mídia. “A FN é o partido que mais rende quando explorado midiaticamente. Rende realmente muitos frutos para a mídia. E o partido tem sabido usar isso a seu favor, em prol do efeito de normalização da sua presença no cenário político francês e de seu discurso xenófobo e anti-islâmico”, explica.  

Uma prova de que os recentes atentados de Paris não tiveram tanto impacto nas eleições em curso é o desempenho fraco do partido na região da Îlle-de-France, onde se situa a capital francesa. Lá o Partido Republicano, do ex-presidente Nicolas Sarkozy, foi o mais votado até agora, com 30% dos votos, seguido pelos Socialistas do atual presidente, François Hollande, que obtiveram 25%. A Frente Nacional ficou na terceira colocação, com 18%.

São três as regiões-chave em que a Frente Nacional vem superando com folgas seus adversários. Em Pas de Calais-Picardia, Norte, a própria Marine Le Pen é candidata, contando até agora com mais de 40% dos votos. Já em Provence-Alpes-Côte d'Azur, no Sul, a vitória parcial é de sua sobrinha, Marion Maréchal Le Pen, também com mais de 40% dos votos. O vice-presidente da legenda, Florian Philippot, lidera com tranqüilidade na região da Alsácia-Champagne-Ardenas-Lorena. Se nestas regiões a vitória é iminente, em outras três ela tem boas chances de ocorrer.

Mesmo com a provável vitória da Frente Nacional nas eleições regionais deste ano e o crescente fortalecimento do partido, Fernando Fontainha não acredita que Marine Le Pen terá grandes chances de chegar à presidência nas eleições de 2017. Para ele, ainda há uma rejeição muito forte ao extremismo na França, e a imagem da Frente Nacional permanece indissociável da biografia de seu fundador, Jean-Marie Le Pen, pai de Marine, afastado recentemente do partido.

"Jean-Marie Le Pen foi o responsável pela publicação do livro “Mein Kampf” na França. Sua biografia produz rejeição, está ligada ao nazismo”, comenta Fontainha. “Não enxergo um abrandamento do partido após sua saída. A meu ver, ela não implica em uma grande reforma, nem no discurso e nem no programa”, diz o cientista político.

Outro fator de dificuldade para a campanha de Marine Le Pen nas futuras eleições presidenciais é a tendência de que haja um pacto entre Republicanos e Socialistas contra a FN, caso Le Pen chegue a um eventual segundo turno. 

Tags: Eleições, fn, francesa, le pen, região

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