Jornal do Brasil

Sábado, 25 de Outubro de 2014

Internacional

Infectado por ebola, médico dos EUA deixará hospital

Kent Brantly curou-se da doença que já matou mais de 1,3 mil

Agência ANSA

O médico norte-americano Kent Brantly, 33 anos, deixará ainda hoje (21) o hospital de Atlanta onde recebeu tratamento e foi curado do vírus ebola. A notícia foi divulgada pelo porta-voz da ONG Samaritan's Purse, ao qual o médico pertencia. Brantly chegou aos Estados Unidos no dia 2 de agosto, após ser infectado pela doença na Libéria, onde trabalhava no combate ao vírus. O presidente ONG, Franklin Graham, explicou que o médico "recebeu um medicamento experimental ainda quando estava na Libéria e uma unidade de plasma proveniente de um jovem de 14 anos que sobreviveu ao ebola".

    Ontem (20), a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou que estava analisando a possibilidade de fazer tratamentos em larga escala utilizando como base o plasma sanguíneo de pessoas que derrotaram a doença. O ebola mata entre 60% e 90% das pessoas infectadas.

    A missionária norte-americana Nancy Writebol, 60 anos, está recebendo o mesmo tratamento aplicado à Brantly. A voluntária da Samaritan's Purse chegou aos Estados Unidos no dia 5 de agosto.

    Crise em Serra Leoa Um dos países mais atingidos pelo vírus é Serra Leoa. De acordo com dados oficiais, foram registrados 783 casos no país. O problema é que o sistema sanitário da nação, que já estava muito debilitado, está entrando em colapso por causa do ebola.

    Segundo a ONG Emergency, na área da capital Freetown há cerca de 20 casos da doença, porém só há duas estruturas funcionamento completamente: um centro cirúrgico e um centro pediátrico de emergência. O hospital pediátrico foi fechado e o principal centro hospitalar da cidade não está funcionando completamente porque muitos médicos e enfermeiros estão com medo de serem contaminados e não aparecem para trabalhar.

    O último balanço divulgado pela OMS mostra que 52 pessoas de equipes médicas foram infectadas pelo vírus e 28 deles morreram.

    Já os hospitais privados fecharam e não tem como atender aos casos. Eles também não são obrigados a permanecer abertos mesmo com a situação caótica que o país enfrenta.

    MSF diz que ebola é "desastre" A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) afirmou que "a epidemia de ebola na África Ocidental é um completo desastre e as agências de saúde ainda não entenderam essa realidade. Ninguém tem uma medida do tamanho dessa crise", falou a presidente da entidade, Joanne Liu, em entrevista ao jornal The New York Times.

    Segundo ela, "não há ainda um bom recolhimento de dados, nem existe segurança suficiente". "A OMS, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças e outros grupos de ajuda precisam estar completamente envolvidos na prevenção e na observação, traçando o perfil das pessoas doentes. E também enviar mais pessoas a campo", disse Liu ressaltando que a MSF é quem mais está tratando os pacientes. A epidemia do vírus Ebola na África Ocidental já deixou 1.350 vítimas fatais, segundo dados divulgados ontem (20) pela OMS. Os números referem-se até o dia 18 de agosto. De acordo com a entidade, também foram registrados até aqui 2.473 casos de contaminação. (ANSA)

Tags: áfrica, ebola, morte, SAÚDE, vírus

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