Jornal do Brasil

Sábado, 25 de Outubro de 2014

Internacional

'The Wall Street Journal': Ebola traz ameaça de fortes impactos econômicos

Ministro de Finanças da Libéria disse que será necessário investimento estrangeiro na África

Jornal do BrasilRafael Gonzaga*

O ministro de finanças da Libéria, Amara Konneh, escreveu um artigo para o The Wall Street Journal nesta quinta-feira (14) alertando para a possibilidade de uma paralisação econômica na Guiné, Libéria, Nigéria e Serra Leoa por conta da epidemia de Ebola. De acordo com a matéria, os números de infecções são relativamente pequenos e a atenção meticulosa às medidas de precaução poderiam evitar a propagação do vírus, mas a taxa de mortalidade em 60% ainda soa alarmante. Segundo Konneh, a razão pela qual a ameaça econômica está sendo tão forte é por conta das medidas necessárias para a contenção da doença.

Na matéria, Konneh diz que, embora o vírus já tenha matado cerca de mil pessoas, a maioria dos africanos nunca vai contrair a doença ou sequer conhecer alguém que vá. Contudo, ele afirma que o impacto econômico do Ebola afetará milhões de pessoas e diz ainda que, quando a crise terminar, tanto a Libéria quanto os países vizinhos irão precisar de ajuda internacional para reconstruírem suas economias.

Konneh ressalta que os problemas econômicos serão reflexos de medidas de contenção do ebola. Com exceção de dois aeroportos ainda abertos na Libéria, as fronteiras do país estão fechadas, assim como escolas e mercados. O próprio movimento das pessoas está sendo restrito e áreas afetadas estariam em quarentena.

A matéria pontua que o Oeste da África já começou a receber ajuda internacional: o Banco Mundial e a Organização Mundial da Saúde estabeleceram um fundo especial para questões ligadas ao ebola. Libéria, Guiné e Serra Leoa receberão US$ 200 milhões em apoio. Segundo Konneh, esse dinheiro será usado, inicialmente, para gastos com os médicos e segurança, além de investimentos para redobrar os esforços de informação à população.

Contudo, o ministro da Libéria disse que a única forma de efetuar uma mudança econômica significativa será através da criação de empregos estáveis e de longo prazo, por intermédio do investimento estrangeiro. A criação de empregos em tempo integral e fixos em um único local limitaria significativamente a propagação do ebola, de acordo com Konneh, visto que diminuiria o número de trabalhadores itinerantes – cidadãos semi-empregados que andam de aldeia em aldeia buscando oportunidades de emprego.

Konneh disse ao The Wall Street Journal estar esperançoso com o encontro na Cúpula de Líderes Africanos em Washington, que conta com a participação de 42 chefes de Estado e procura aumentar o investimento empresarial americano na região. O ministro diz que os liberianos precisam de um pontapé inicial – e certamente, do apoio dos Estados Unidos. Ele afirma que, embora seja crucial para o desenvolvimento da África que desacordos políticos sejam superados, a cúpula levanta a perspectiva de ter os Estados Unidos não apenas como um doador generoso em tempos de emergência, mas como um parceiro na criação de empregos em ambos lados do oceano Atlântico.

O ministro estendeu ainda uma crítica à China e à Europa, que são investidores importantes, mas que não criam postos de trabalho na África – para além dos que são ocupados por seus próprios trabalhadores. Segundo Konneh, o compromisso assumido pelos Estados Unidos para a criação de empregos irá ajudar nações africanas a finalmente abordar a fonte dos grandes desafios de todo o continente: a pobreza.

*Do programa de estágio JB

Tags: ebola, Estados Unidos, guiné, investimento, libéria, médicos sem fronteira, NIGÉRIA, organização mundial da saúde, serra leoa

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