Jornal do Brasil

Sábado, 20 de Dezembro de 2014

Internacional

El País: Brasil pode aumentar a exportação de alimentos para a Rússia

Frente as sanções da Rússia à UE e aos EUA, países latino-americanos podem ganhar mercado

Jornal do Brasil

Segundo a edição do El País deste domingo (10), os países sul-americanos podem lucrar com as sanções impostas pela Rússia a União Européia e os Estados Unidos para a importação de alimentos. Segundo o Jornal espanhol, a sanção, imposta na quarta-feira (6), tem duração de um ano e abre para os países latinos a possibilidade de entrar em um mercado que rende seis milhões de euros por ano. Segundo o jornal, as sanções seriam uma resposta contra as sanções econômicas e políticas feitas à Rússia pelos Estados Unidos e União Européia.

O jornal espanhol destaca que não é apenas um negócio de oportunidade, mas é a chance de um país latino fincar os pés em uma potência de 145 milhões de habitantes.

Segundo o El País, o diretor do Serviço de Inspeção Agrícola e Pecuária da Rússia, Serguéi Dankvert, com o intuito de garantir o abastecimento de alimentos a partir de setembro, se reuniu nesta quinta-feira(7) com os embaixadores da Argentina, Chile, Equador e Uruguai em Moscou. Além disso, o governo de Vladimir Putin suspendeu as sanções contra 89 empresas brasileiras exportadoras de carne e 18 de processamento de pescado no Peru.

A notícia, da liberação das restrições à carne e aos laticínios brasileiros, animou o mercado exportador do país, segundo aponta a notícia publicada no El País. “É surpreendente. A Rússia sempre foi reticente em relação ao nosso país” aponta o presidente da Associação do Comércio Exterior no Brasil, Augusto Castro. Castro prevê que o Brasil fature cerca de 370 milhões de euros com as possíveis novas exportações para a Rússia. “O mais importante para os exportadores brasileiros agora é ganhar o mercado e mantê-lo durante esse ano de sanções”, afirmou o presidente em entrevista para o El País.

Porém, a produção de alimentos não é uma questão que se conclui de um dia para o outro.  “Um porco, por exemplo, leva entre oito e dez meses até estar pronto para o consumo. Um frango precisa de 45 dias”, explica o Vice-presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, Ricardo Santin, em entrevista para o jornal espanhol.

No entanto, a boa notícia para o mercado exterior, pode significar algo diferente para o mercado interno brasileiro. “Se a demanda aumenta, o preço da carne no Brasil pode subir também”, reconhece Santin. O mesmo pode acontecer no resto da América Latina.

A situação dos países latino-americanos

Na Argentina algumas restrições a exportação de carne, milho e trigo asseguram o abastecimento do mercado interno. Porém, segundo o El País, o embaixador argentino na Rússia, Pablo Tettamanti, prometeu que a Argentina começará, em breve, a aumentar suas exportações de alimentos à Rússia.

Segundo a notícia do jornal espanhol, a Rússia espera começar logo as importações das carnes bovina, de porco e carne de frango, leite em pó, manteiga, vegetais e peixe do mercado argentino, já que é um setor onde as empresas espanholas controlam grande parte das exportações.

Em entrevista para o El País, o presidente da Coordenadoria das Indústrias de Produtos Alimentícios da Argentina, Daniel Funes de Rioja destacou que o país tem oferta para lidar com a demanda russa, dada a queda nos mercados interno e externo, como o Brasil. O consumo argentino de frango e laticínios diminui durante este ano, enquanto as exportações de legumes e frutas estão reduzidas.

Segundo o jornal espanhol, fontes do Ministério da Agricultura argentino declararam que os produtores e exportadores de seu país já tem compromissos de vendas com outros países, que não podem ser rompidos para abastecer a Rússia. Além disso, não podem permitir que os preços se elevem internamente para cumprir com essa nova demanda. Mas consideraram que ainda podem cobrir a necessidade russa em vários setores.

 O embaixador chileno na Rússia, Juan Eduardo Eguigurem, disse que o Chile pode incrementar as exportações de carne de porco e frango, peixe, verduras e frutas. Seu colega equatoriano, Patricio Chávez Zabala, destacou que o governo de Putin ofereceu vôos para melhorar o transporte de bananas para a Rússia. Chavez também propôs elevar a exportação de atum, café, brócolis, frutas tropicais, como abacaxi e mamão, e produtos lácteos como leite condensado e queijos. Da embaixada do Uruguai, Aníbal Cabral Segarleba defendeu o aumento das remessas de carne bovina e do início das exportações de gado vivo. A Rússia não mostrou interesse apenas pela carne uruguaia, mas também pelos seus frutos do mar, queijo, frutas cítricas, maçãs, peras e vegetais em geral.

 

 

 

Tags: brasil, EUA, exportações, latino-americano, países, russia, união europeia

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