Jornal do Brasil

Domingo, 23 de Novembro de 2014

Internacional

'El País': Interferência externa no Oriente Médio deve ser mais responsável

Jornal espanhol avalia questões turbulentas do Iraque e Síria e repensa forma de atuação

Jornal do BrasilRafael Gonzaga*

Grande parte da responsabilidade acerca dos conflitos no Iraque, além dos da Síria, estaria no legado colonial nocivo e nas políticas erradas aplicadas pelo Ocidente no Oriente Médio árabe. Essa é a opinião do jornal espanhol El País, que veiculou uma matéria nesta quinta-feira (7) dizendo que a revolta no mundo árabe seria um reflexo de um encontro turbulento entre uma civilização antiga com os desafios da modernidade.

O jornal de Madrid diz que o futuro do Oriente Médio está justamente nas mãos de seu povo e, como todas as outras civilizações da história, os árabes estão envolvidos em um longo processo de tentativas e erros, na busca por superar seus próprios desafios – e é provável que o processo dure ainda por grande parte do século XXI. Para o jornal , o Ocidente deve ter mais humildade e sensibilidade cultural na hora de oferecer ajuda, usando a diplomacia inteligente ao invés de ataques antiterroristas.

O El País diz que a política do ex-presidente norte-americano George W. Bush foi tão mal concebida quanto foram os esforços de Barack Obama em deixar uma força residual no Iraque após a retirada das tropas norte-americanas do território. Segundo o jornal, a própria saída precipitada dos Estados Unidos abriu espaço para o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (Isis) desrespeitar as fronteiras com a Síria.

O jornal afirma que atualmente, o dilema árabe está em essência estabelecido em uma crise do conceito de Estado Árabe. Os árabes estariam, segundo o El País, repensando o conceito de nacionalismo étnico israelense, argumentando que a religião não é uma base legítima para categorizar um estado. O jornal aponta que os países árabes estariam implodindo precisamente por conta da falta de capacidade deles em conciliar a própria diversidade.

Atualmente, de acordo com o El País, o Oriente Médio está experimentando o colapso da noção de que os Estados árabes podem se organizar religiosamente em sociedades diversas – e esse não seria um problema resolvível por uma nação estrangeira que tentasse interferir no assunto, sendo o jornal.

O erro dos Estados Unidos no Oriente Médio teria sido o de atrapalhar um processo de amadurecimento, que exige naturalmente grandes mudanças históricas. Ao invadir o Iraque, os Estados Unidos tentaram contornar um efeito histórico lógico. O jornal argumenta que se a Europa teve que suportar séculos de guerras religiosas e duas guerras mundiais sucessivas para resolver suas próprias disputas nacionais e étnicas, não faria sentido os Estados Unidos acreditarem ter capacidade de implantar instantaneamente a democracia e o respeito pelas minorias no Oriente Médio. O El País lembra ainda que as duas transições democráticas de maior sucesso dos últimos anos – Curdistão e Tunísia – teriam ocorrido sem o mínimo de interferência do Ocidente.

*Do programa de estágio do JB

Tags: Barack Obama, el pais, Estados Unidos, iraque, isis, síria

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