Jornal do Brasil

Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Internacional

Dirigentes do Khmer Vermelho são condenados a prisão perpétua

Agência ANSA

 Considerados culpados por crimes contra a humanidade e condenados à prisão perpétua. Foi esse o veredicto dado aos dois dirigentes de maior patente do Khmer Vermeljo ainda vivos, Nuon Chea e Khieu Samphan. A sentença foi dada três anos após o início dos trabalhos judiciários no Tribunal dividido entre a ONU e o governo do Camboja. O julgamento histórico ocorreu em Phnom Penh, capital do país. Do lado de fora do tribunal, sobreviventes e familiares de vítimas do regime comemoraram a decisão.

    Chea, de 88 anos e ideólogo do regime, e Samphan, de 83 anos e ex-chefe de estado, estavam presos desde 2007. O primeiro foi declarado culpado por ter organizado crimes contra a humanidade, como extermínios, perseguições políticas, desaparecimento e outros crimes. Já Samphan foi condenado por ser cúmplice das atrocidades. Os advogados dos dois já anunciaram que entrarão com recurso. Eles pedem um novo julgamento com um júri "impacial." Durante todo o processo, a eles nunca admitiram serem culpados das acusações.

    "Há, finalmente, uma sensação de justiça. É um dia histórico, o último capítulo de um passado obscuro do Camboja", afirmou Ou Virak, presidente do Centro de Direitos Humanos do país. Segundo informações, a ONU gastou cerca de 200 milhões de dólares (R$ 455 milhões) para conseguir fazer o julgamento.

    No entanto, a sentença a Chea e Samphan encerra apenas uma parte dos processos que busca condenar os membros e apoiadores do Khmer Vermelho, regime liderado por Pol Pot, no Camboja, entre 1975 e 1979. O receio dos promotores que comandam as investigações é que o processo seja travado e que outros ex-membros do Khmer vermelho não sentem mais no banco dos réus.

    Um dos motivos é a influência do atual presidente do país, Hun Sem, ele próprio um ex-membro do regime.

    Antes da decisão desta quinta-feira, a única condenação de um membro do Khmer Vermelho, regime que matou mais de dois milhões de pessoas, havia sido a do chamado "companheiro Duch", chefe da penitenciária Tuol Sleng. O líder Pol Pot morreu em 1998 sem nunca ter ido à cadeia. (ANSA)

Tags: camboja, direitos, humanos, justiça, khieu samphan, nuon chea

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