Jornal do Brasil

Quinta-feira, 27 de Novembro de 2014

Internacional

“Argentina azarada”, diz The Economist

Revista diz que decisão americana foi injusta mas que Kirchner precisa negociar com "abutres"

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A revista  The Economist publicou nesta sexta-feira (1) uma reportagem sobre o calote argentino. O primeiro acordo da Argentina para financiar dívidas foi emitido em 1824 e deveria ter uma vida útil de 46 anos. Menos de quatro anos depois, o governo estava inadimplente novamente. Resolver o impasse que levou 29 anos. Desde então, mais sete crises de inadimplência se seguiram, a mais recente esta semana, quando a Argentina não conseguiu fazer o pagamento das obrigações firmadas como compensação parcial dos prejudicados pela dívida 2001.

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A maioria dos investidores pensa que pode ver um padrão em tudo isso, mas a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, insiste que a mais recente inadimplência não é como as outras. Seu governo, ela aponta, havia transferido U$ 539 milhões aos bancos que administram os títulos. Foram as leis americanas que bloquearam o pagamento, a mando da pequena minoria de proprietários de títulos, de 2001, que não aceitaram a reestruturação proposta pela Argentina em 2005 e novamente em 2010. Estes "hold-outs", chamados de abutres, que não aceitaram os acordos, convenceram um juiz que deveriam ser pagos integralmente, e também bloquearam os pagamentos dos títulos de reestruturação para os outros, até a Argentina pagar a dívida.

Revista diz que Cristina não tem para onde fugir e precisa negociar
Revista diz que Cristina não tem para onde fugir e precisa negociar

 A Argentina afirma que pagar os “abutres” era impossível. Não é apenas que eles são "abutres", que compraram os títulos por centavos de e agora estão travando a vida daqueles que aceitaram a reestruturação (que representam 93% da dívida) para resgate. O principal problema é que uma cláusula nos títulos reestruturados proíbe a Argentina de oferecer melhores aos hold-outs sem oferecer as mesmas condições para todos. Uma vez que não pode dar ao luxo de fazer isso, não existe escolha além do calote.

 No entanto, não é certo que a cláusula que exige igualdade de tratamento de todos os portadores de títulos teria de ser aplicada, diz a revista, uma vez que a Argentina não pagou os hold-outs voluntariamente, mas por ordem dos tribunais. Além disso, alguns donos dos títulos reestruturados haviam concordado em renunciar a seus direitos; Os advogados e os banqueiros sugeriram diversas maneiras de contornar a cláusula em questão, que expira no final do ano. Mas o governo de Argentina demorou a considerar estas opções ou negociar com os hold-outs, escondendo-se por trás de um “nacionalismo indignado”, completa a revista.

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 “É certo que as consequências das decisões judiciais dos Estados Unidos tem sido perversas, desencadeando uma grande disputa financeira, em uma tentativa de resolver uma parte relativamente pequena do problema”, diz a publicação. “Mas ela não é o primeiro governo a ser atingido com um veredicto estranho”, completa. E diz que, em vez de reclamar, ela deveria ter tentado minimizar o dano. A inadimplência não vai ajudar ninguém. Agora, nenhum dos detentores de bônus será pago. A Argentina parece um pária de novo, e sua economia continuará a ser carente de empréstimos e investimentos.

 Felizmente, grande parte dos danos ainda pode ser desfeita. Não é tarde demais para chegar a um acordo com os abutres. Uma solução rápida poderia viabilizar a Argentina a pedir um novo empréstimo internacional. Isso, por sua vez, acelera o desenvolvimento de grandes jazidas de petróleo e gás, rendimento a partir dos quais poderia aliviar seus problemas financeiros

Mais importante, ele iria ajudar a mudar a percepção da Argentina como um Estado “pária financeiro”. Durante o ano passado Kirchner parece ter tentado reabilitar a imagem da Argentina e ressuscitar sua economia vacilante. “Para seu próprio bem, e de todos os outros, a Argentina deve segurar seu nariz e fazer um acordo com os hold-outs”, dita a The Economist

Tags: abutres, Argentina, brasil, calote, dívida, entenda, hold-out

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