Jornal do Brasil

Quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

Internacional

'The New York Times': Nações Unidas não resolveriam conflitos por interesses

Jornal aponta que interesses de grandes potências esbarrariam em resoluções efetivas da ONU

Jornal do Brasil

O jornal norte-americano The New York Times questionou em matéria desta segunda-feira (28) os motivos pelos quais as Nações Unidas não poderiam resolver os problemas do mundo. De acordo com o texto, os conflitos na Ucrânia e na Faixa de Gaza, além da guerra na Síria, tem exposto os diplomatas a testemunhos do sofrimento de civis e alegações de crimes contra a humanidade. Contudo, o conselho de 15 membros tem se mostrado incapaz de acabar com esses conflitos. Segundo o jornal, o problema não seria o fato de as grandes potências mundiais não se importarem com o que está acontecendo, mas sim o fato de elas se preocuparem demais.

O jornal aponta que tanto a Rússia quanto os Estados Unidos possuem muita coisa em jogo nesses conflitos, e as regras da diplomacia permitiriam que os representantes de ambos os países vetassem quaisquer ações do Conselho de Segurança – assim como os representantes de qualquer outro membro permanente: Grã-Bretanha, França e China. De acordo com o The New York Times, os Estados Unidos vetou 14 projetos de resolução, a maioria deles envolvendo o conflito entre Israel e palestinos. A Rússia, por sua vez teria vetado 11 envolvendo aliados, como a Síria.

Gérard Araud, embaixador francês na ONU que encerrou seu mandato na última sexta-feira, teria dito, segundo o jornal de Nova York, que existe esse bloqueio por parte de grandes potências de uma interferência do Conselho de Segurança em crises relacionadas a interesses nacionais. De acordo com Gérard, a ONU acaba se ocupando apenas de crises que não interessam ninguém.

O jornal apontou que tanto a França quanto a Grã-Bretanha vêm apoiando a ideia de limitar o poder de veto em casos que envolvam atrocidades em massa. Contudo, a proposta estaria sendo ignorada há vários anos pelos Estados Unidos, pela Rússia e pela China. Segundo o The New York Times, o direito do veto permitiu que membros permanentes do Conselho viessem rejeitando há bastante tempo qualquer coisa que ameaçasse seus interesses estratégicos, apesar de os princípios da organização envolverem proteger civis quando suas autoridades estatais não o pudesse fazer.

À medida que o número de mortos nos confrontos na Faixa de Gaza ultrapassou 800 vítimas, o jornal diz que era esperado que um projeto de resolução fosse distribuído aos membros do Conselho. Na última semana, os membros do Conselho disseram que estavam esperando que supostos esforços de cessar-fogo do Secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, surtissem efeitos antes de a entidade agir. No caso da Ucrânia, o jornal diz que o Conselho se mostra igualmente incapaz de conceber uma solução política para a crise. E com a crise na Síria, o apoio russo em relação ao governo de Bashar al-Assad teria culminado em quatro vetos sucessivos para propostas de resoluções do conflito.

O jornal diz que críticos mais ferozes do Conselho vêm lembrando recentemente os membros permanentes de suas responsabilidades. Após a derrubada de Malaysia Airlines Flight 17, e acusações de que rebeldes separatistas estariam recebendo apoio russo, o Conselho conseguiu aprovar uma resolução modesta para o envio de investigadores internacionais ao local da queda. Da mesma forma, o Conselho teria aprovado uma medida autorizando a entrega de ajuda humanitária às áreas controladas pelos rebeldes na Síria. Contudo, ambas medidas não envolveriam a resolução dos conflitos, como o The New York Times aponta.

Tags: cHINA, Conselho, Estados Unidos, faixa de gaza, França, nações unidas, russia, síria, UCRÂNIA

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