Jornal do Brasil

Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2014

Internacional

The Diplomat: a China é um tipo diferente de poder global

"Não espere que a China se torne outro EUA", aponta autor

Jornal do Brasil

A revista The Diplomat publicou um artigo de Dingding Chen no último sábado (28) em resposta a um artigo de David Shambaugh, em The National Interest, no qual o autor perguntava se a China é um poder global e respondia que ainda não. O principal argumento dele foi que a China ainda é muito limitada em cinco importantes dimensões do poder global: diplomacia internacional, capacidade militar, presença cultural, poder econômico e sistema doméstico.

No texto da The Diplomat, Chen argumenta que a colocação de que a China não é um poder global falha em três importantes razões. Primeiro, afirma que a definição de poder global de Shambaugh não é bem definida e que ele claramente usa o modelo dos Estados Unidos como um poder global. Chen aponta que os EUA não é somente um poder global, mas uma hegemonia em vários aspectos. Ele defende que é injusto comparar qualquer outro poder global com o dos EUA e que é impossível para a China se tornar outro EUA por motivos históricos, culturais e sociais. Assim, Chen esclarece que o poder global chinês deve ser julgado pelas relações da China com outros muitos Estados equivalentes. 

Além disso, o autor critica Shambaugh por não dar o devido valor ao sentido das capacidades materiais. Dois de cinco indicadores para julgar o status da China são fatores materiais - poder militar e econômico - enquanto os outros três são geralmente subprodutos do poder material. Em relação a isso, Chen assegura que é perfeitamente normal um país primeiro se tornar um poder econômico, depois militar, e finalmente cultural.

Em seguida, Chen desaprova Shambaugh por superestimar a utilidade de perseguir uma diplomacia ativa e garante que a mesma pode não ser positiva. "Apenas olhe para a bagunça no Iraque agora", sugere, acrescentando que muitos estudiosos acreditam que a crise no Iraque tem muito a ver com a invasão dos EUA na região. Por último, Chen coloca que a análise de Shambaugh sobre os problemas domésticos não é nova e que problemas como desigualdade e problemas ambientais existem há três décadas na China e não interromperam o desenvolvimento do país.

A pergunta, de acordo com Chen, não deveria ser se a China é um poder global, mas sim como a China pode contribuir para a sociedade internacional. "A China tem muito a oferecer à comunidade internacional, da mesma forma que tem muito a aprender de outros países", conclui.

Tags: cHINA, Estados Unidos, geopolítica, influência, poder

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